Eros e Psiquê

Um dos mais belos contos da literatura universal                                                                                                          

O MITO DE AMOR E PSIQUÊ

– Um dos mais belos contos da literatura universal. 

Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793 - Antonio Canova - Louvre

Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793
Antonio Canova – Louvre

“Histórias Estátuas”

Em um reino vivem o rei, a rainha e suas três filhas.
Duas princesas são mulheres sem grandes atrativos e não são pessoas que se destacam em meio às outras pessoas, porém a princesa mais nova, que se chama Psiquê (que na mitologia grega, é uma divindade que representa a personificação da alma).

Psiquê é extraordinariamente bela e naturalmente é notada por todos, devido não só à sua beleza, mas também ao seu charme, personalidade e forma de agir e falar.

Tais características fazem com que ela tenha um porte de deusa e as pessoas à sua volta, em razão de sua notável presença, realmente a veneram e até a cultuam, chegando, inclusive, a dizerem: “Eis aí a nova Afrodite, eis aí uma nova deusa”.

Afrodite, a deusa da feminilidade, começou a perceber a adoração que era destinada à Psiquê e muitos já comentavam que Psiquê estaria tomando o lugar dela.

Psiquê é a preocupação de seus pais porque suas filhas mais velhas, apesar de não serem tão encantadoras quanto ela, já estão felizes e casadas com reis de reinos vizinhos, porém não aparece ninguém para pedir a mão da formosa Psiquê.

O rei então decide consultar um oráculo, porém o oráculo que o rei consulta é dominado por Afrodite que com inveja e raiva de Psiquê faz com que a resposta do oráculo seja uma terrível profecia: Psiquê deveria desposar uma criatura horrível e repulsiva.

Psiquê é levada em uma procissão para o casamento como se este fosse um cortejo fúnebre e então é acorrentada em uma pedra no alto de uma montanha. Ela estava quase adormecendo, aguardando resignada a sua triste sorte, quando um ser misterioso apareceu na escuridão e lhe disse que era o marido a quem ela estava destinada. Era o belo Eros que desempenhava o papel de marido, tentando desta forma executar o castigo que Afrodite pedira.

Eros era o deus grego do amor e do desejo, conhecido na mitologia romana como Cupido, é filho de Afrodite. Ele é geralmente representado como uma criança alada, com arco e flecha, pronto a disparar sobre o coração de deuses e de mortais, suscitando-lhes o desejo e o amor. As flechas eram de dois tipos: as douradas, de penas de pomba, que suscitavam o amor, e as flechas de chumbo, com penas de coruja, que causavam a indiferença. Frequentemente com os olhos vendados para simbolizar a cegueira do amor, Eros tornava-se perigoso para os demais, pois disparava setas em todas as direções.

O plano de Afrodite era o de que Eros lançasse uma flecha em Psiquê para que ela se apaixonasse pelo seu futuro esposo.

Eros, porém, ao ver Psiquê se distrai e acidentalmente acaba espetando seu próprio dedo com uma de suas flechas e então é ele, o deus do amor, quem acaba se apaixonando por Psiquê.

E Psiquê seduzida pela voz suave de Eros, se entregou e conheceu as delícias do Amor, nas mãos do próprio deus do amor…

Os dias se passavam, e ela não se entediava, tantos prazeres tinha: acreditava estar casada com um monstro, pois Eros não lhe aparecia e, quando estavam juntos, ficava invisível. Ele não podia revelar sua identidade pois, assim, sua mãe descobriria que não cumprira suas ordens – e apesar disto, Psiquê amava o esposo, que a fizera prometer-lhe jamais tentaria descobrir seu rosto.

Passado um tempo, a bela jovem sentiu saudade de suas irmãs e, implorando ao marido que permitisse que elas fossem trazidas a seu encontro. Eros resistiu e, ante sua insistência, advertiu-a para a alma invejosa das mulheres. As duas irmãs foram, enfim, levadas.

A princípio mostraram-se apiedadas do triste destino da sua irmã, mas vendo-a feliz, num palácio muito maior e mais luxuoso que o delas, foram sendo tomadas pela inveja. Constataram, então, que a irmã nunca tinha visto a face do marido. Disseram ter ouvido falar que ela havia se casado com uma monstruosa serpente que a estava alimentando para depois devorá-la, então sugeriram-lhe que, à noite, quando este adormecesse, tomasse de uma lâmpada e uma faca: com uma iluminaria o seu rosto; com a outra, se fosse mesmo um monstro, o mataria.

Psiquê resistiu os conselhos das irmãs o quanto pôde, mas o efeito das palavras e a curiosidade da jovem tornaram-se fortes. Pôs em execução o plano que elas lhe haviam dito: Após perceber que seu marido entregara-se ao sono, levantou-se tomando uma lâmpada e uma faca, e dirigiu a luz ao rosto de seu esposo, com intenção de matá-lo.

Quando ela vê o belo jovem de rosto corado e cabelos loiros, espantada e admirada, desastradamente deixa pingar uma gota de azeite quente sobre o ombro dele. Eros acorda – o lugar onde caiu o óleo fervente de imediato se transforma numa chaga: o Amor está ferido

Eros acordou e, furioso, reprimiu-a pela sua curiosidade e pela quebra da promessa que lhe tinha feito e retirou-se.

Ao mesmo tempo, desapareceu o palácio e Psiquê encontrou-se, de novo, na montanha, onde, desgostosa, tentou suicidar-se, atirando-se a um rio, mas as águas levaram-na de volta às margens.

A partir de então, vagueou pelo mundo à procura do seu amor, e, perseguida pela ira de Afrodite, foi sujeita a muitos perigos que conseguiu vencer devido a uma misteriosa proteção.

Finalmente, Eros, impressionado pelo arrependimento de Psiquê e pela fidelidade do seu amor, implorou a Zeus que deixasse Psiquê juntar-se a ele.

Zeus concedeu a imortalidade a Psique, Afrodite esquece seus ciúmes e concorda com a ideia.

Psiquê é então transformada em deusa e, desta forma, Eros e Psiquê se casam no Olimpo e ela dá à luz a uma menina chamada Hedonê, a deusa do prazer.

O mito de Eros (o amor) e Psiquê (a alma) retrata a união entre o amor e a alma. Uma alegoria à imortalidade da alma, simboliza também a alma humana provada por sofrimentos e aprovada, recebendo como prêmio o verdadeiro amor que é eterno e o prazer.

Em obras de arte Psiquê é representada como uma donzela com asas de borboleta, uma simbologia que significa que Psiquê, como a borboleta, depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera.

“Histórias Minhas”

Apesar de já ter visitado o Louvre algumas vezes, só me senti atraída pela escultura quando estive lá em maio/2015. Foi um momento difícil em minha vida e eu questionava se realmente seria capaz de voltar a viver bem.
 
Estava acompanhando meu ex-marido, um físico,  que fazia uma viagem de negócios. Durante o dia, enquanto ele trabalhava, eu, que tinha tirado uns dias de férias, mergulhava nos encantos parisienses. À noite, nos encontrávamos mas era sempre muito difícil. A relação tinha chegado ao fim e o desprazer de estarmos juntos era notório. E na segunda noite, ao fim de mais uma de nossas brigas, ele me deixa sozinha no quarto do hotel e não volta. 

Detalhe de Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793  -  Antonio Canova - Louvre

Detalhe de Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793  
 Antonio Canova – Louvre

Na manhã seguinte, ele aparece e vamos a um pequeno café tentar conversar. Sem a menor chance de reconciliação e após muitas agressões, ele se levanta, joga 10 € em cima da pequena mesa e sai de forma arrogante.

Cansada do abuso emocional, decido que não posso aceitar mais isso. Eu morava em Berlim há 4 anos e me sentia segura tendo um marido alemão. Mas o preço era alto demais. Me sentia desrespeitada, humilhada e vinha sendo violentada mentalmente diariamente. E naquele momento decidi que não permitiria mais isso.

Peguei meu telefone e lhe enviei uma mensagem. O diálogo foi assim:
“Acabou. Não há nada no mundo que me faça continuar nesse casamento”, escrevo eu.
“ Você sabe que dia é hoje?” Pergunta ele. E escreve: “ 16.05.2015”
Checo o calendário. Ele tem razão. Isso quer dizer que 5 anos atrás, naquela mesma data havíamos nos conhecido.
“Muito bem. Fechamos com chave de ouro”, digo eu.

Arrasada, cansada e totalmente perdida, me levanto. Eu estava em Montparnasse. Decido ir até o Jardin des Grands Explorateurs, caminhar um pouco pelo parque e tentar ordenar meus pensamentos. Em momentos de grandes dificuldades, tenho sempre o hábito de não só buscar soluções, mas observar as influências externas, o que vem de fora, o que a vida quer me mostrar. Sinto que tem sempre um motivo para tudo o que passamos e não sossego enquanto não entender o porquê de tudo. E foi assim que resolvi que nesse momento era melhor eu apenas observar tudo e esperar para ver o que a vida tinha para dizer. E esse dia foi extraordinário. Repleto de sinais. O primeiro havia sido a data e agora, no parque, duas estátuas me chamam a atenção. Essas estátuas, não são de Psiquê e Amor e não tem a ver com o tema dessa postagem, mas foram importantes para mim naquele momento. Elas mostravam duas realidades. A que eu vivia e a que eu queria viver. Vejam:

Robert Cavelier - Le Crepuscule  François Jouffroy - L'Aurore

Robert Cavelier – Le Crepuscule
François Jouffroy – L’Aurore

Um bom sinal, penso eu. Sigo em frente pelo Jardin Du Luxemburg. Sento na beira do lago, fecho os olhos e sinto o calor do sol de primavera. Ouço o som dos pássaros, das pessoas que caminham vagarosamente sobre as pedrinhas do chão e as risadas das crianças que brincam com barquinhos no lago. Passo um tempo fotografando as cenas que quero eternizar e vejo um menino que corre feliz com um barquinho com a bandeira do Brasil. Outro bom sinal, penso eu e sorrio.

Jardin Du Luxemburg

Jardin Du Luxemburg

Decido continuar a minha caminhada e acabo chegando na igreja do Saint-Sulpice. Um pouco cliché, penso eu, mas resolvo entrar. Tem uma missa sendo rezada. Achei que talvez fosse uma boa ideia sentar e meditar ouvindo a voz do padre em francês que me acalmava.

Mas a missa estava no fim e eu senti uma tristeza profunda. Comecei a andar pela igreja e vejo uma sala com uma janela grande de vidro. Dentro, havia um padre negro que conversava com um homem. Sem saber muito bem porque, resolvo parar e esperar. O homem se levanta, se despede e o padre acena para mim, me convidando para entrar. Me aproximo e digo que não falo francês muito bem. Ele sorri, me pede para sentar e lágrimas descem pelo meu rosto. Mostro a minha aliança e explico que o casamento terminou. Ele me pede para fechar os olhos e faz uma oração em francês. Muito emocionante e lindo. Me senti abençoada diretamente por Deus naquele momento. E tive a impressão que minha decisão era boa, que estava fazendo a coisa certa. Fiquei uns 15 minutos com o padre, agradeci, me despedi e sai da sala. Me senti inexplicavelmente muito bem e confiante após esse encontro.

Sai da igreja e fui para o Quartier Saint-Germain-des-Prés. Olhei as novidades, as vitrines mas não comprei nada. Sentei noutro café e pedi um absolutamente delicioso sanduíche de baguete com queijo, presunto e salada e o saboreei com uma taça de vinho rosé enquanto observava os pedestres. Percebi que estava chegando a hora de visitar o Louvre. Eu tinha comprado as entradas online com hora marcada. Então decidi pagar a conta e seguir para lá.

Em poucos minutos chego no Louvre. Sento perto da pirâmide para admirar a sua beleza e aproveito para tirar mais algumas fotos. De repente, o meu telefone toca. Era o meu marido. Olho para o celular e fico em dúvida se deveria atender. Agora que já tinha me acalmado e estava de novo bem, falar com ele poderia estragar tudo o que eu tinha conquistado e eu poderia voltar a me aborrecer e a me desequilibrar. Mas resolvi atender.

“Já que não estamos mais juntos, resolvi voltar para Berlim mais cedo. Vou embora daqui a pouco e quero saber se você está precisando de alguma dinheiro”, disse ele. Bem, ele estava me deixando sozinha em Paris. O mínimo que poderia fazer era me ajudar nas despesas. Aceito a ajuda e digo que ele pode fazer uma transferência para a minha conta. Assim, eu poderia retirar o dinheiro em algum caixa eletrônico e não precisaríamos nos encontrar. Ele concorda e me pergunta onde estou.
“Na entrada do Louvre”, digo eu.
“Eu também”, diz ele.
Me viro assustada e já o vejo do outro lado da rua.
Ele vem até mim e sentamos na beira do laguinho de novo. Mais calmos, conseguimos falar melhor. Ele explica que vai embora. As reuniões de trabalho acabaram e ele não tem mais motivos para ficar em Paris. Eu digo que vou ficar e explico que não posso continuar conversando pois tenho uma entrada com horário marcado para visitar o Louvre. Ele diz que só havia visitado o Louvre uma vez, quando ainda era adolescente e que tinha vontade de visitá-lo. Eu estava com os dois ingressos na mão que tinha comprado para nós dois. Acabo perguntando se ele quer vir comigo. Ele aceita. Entramos juntos e eu penso se fiz a coisa certa…

E é durante essa visita ao Louvre que paro para refletir sobre o amor ao ver a escultura “Psiquê revivida pelo beijo de Eros” de Antonio Canova da foto acima. Nesse momento o amor parece muito irreal. Eu me sentia adormecida, descrente. Será que ainda voltaria a me apaixonar? A acreditar no amor? Com esse homem certamente não.

Apesar de tudo, a visita foi tranquila e enriquecedora. Ele é um homem extremamente culto e inteligente e talvez, por que estava temeroso de me perder, se portou de forma simpática e amigável. Eu aceitei a sua companhia e desfrutei desse momento culturalmente rico. Na saída decidimos caminhar pelas Tulherias e decidir sobre o que fazer…

Jardin-Du-Luxemburg - Tulherias

Jardin-Du-Luxemburg – Tulherias

Na próxima postagem (O Beijo – Auguste Rodin) darei continuidade a essa história. Deixo aqui mais umas estátuas de Amor e Psiquê que tive o privilégio de conhecer. 

Primeiro duas obras do alemão Reinhold Begas (Alemanha 1831 – 1911) que se encontram na Antiga Galeria Nacional, na Ilha dos Museus, em Berlim. 
Aqui vemos a primeira estátua de Begas, que mostra o momento em que Psiquê fere Amor (ela derrama óleo quente no seu ombro).

Amor und Psyche / Amor e Psiquê - 1857 - Reinhold Begas Antiga Galeria Nacional - Ilha dos Museus - Berlim

Amor und Psyche / Amor e Psiquê – 1857 – Reinhold Begas
Antiga Galeria Nacional – Ilha dos Museus – Berlim

A segunda estátua mostra Pan consolando Psiquê após ela ter sido abandonada por Eros/Amor.

Pan tröstet Psyche / Pan consola Psiquê 1858 - Reinhold Begas - Antiga Galeria Nacional - Ilha dos Museus - Berlim

Pan tröstet Psyche / Pan consola Psiquê
1858 – Reinhold Begas – Antiga Galeria Nacional – Ilha dos Museus – Berlim

Begas foi aluno de Christian Daniel Rauch e foi fortemente influenciado pela obra de Michelângelo e pela arte barroca do período. A partir de 1870 Begas dominou a arte plástica na Prússia, especialmente em Berlim, onde despertou grande interesse no Kaiser Guilherme II. Algumas de suas obras-primas desse período são:

• a estátua colossal de Borússia para o Salão da Glória (hoje no parque da Fehrbelliner Platz)
• a fonte de Netuno;
• a estátua de Schiller cercada pelas 4 alegorias (poesia, tragédia, história e filosofia) em Gendarmenmarkt;
• a estátua Kriegswissenschaft (ciência da guerra) (no Deutsches Historisches Museum);
• a estátua de Alexander von Humboldt;
• o sarcófago do imperador Frederico III no mausoléu da Igreja da Paz em Potsdam,
• o monumento nacional ao imperador Guilherme I;
• o memorial a Otto von Bismarck no Tiergarten;
• várias estátuas na Avenida da Vitória.
Embora sua temática favorita fosse a arte decorativa e mitológica, ele tornouse o mais famoso retratista à sua época e esculpiu muitos bustos de seus contemporâneos.

Abaixo uma foto de Amor und Psyche uma obra do alemão Karl Hassenpflug (1824- 1890) , feita para o rei Frederico Guilherme IV da Prússia. A estátua se encontra no Palácio do Laranjal no Parque Sanssouci em Potsdam.

Amor und Psyche 1858 - Karl Hassenpflug - Orangerieschloss

Amor und Psyche
1858 – Karl Hassenpflug – Orangerieschloss

E termino essa postagem dizendo que 2 anos depois, em abril de 2017, posso dizer que a flecha do Eros me atingiu e estou vivendo uma linda e real história de amor. 

Fonte: Wikipédia
Na Antiga Galeria Nacional, que fica no coração da Ilha dos Museus em Berlin, encontra-se duas estátuas de Psiquê de Reinhold Begas .
A primeira mostra o momento em que Psiquê fere Amor (derrama óleo quente no seu ombro).

Um dos episódios mais conhecidos do livro é o de Amor e Psiquê.

Fontes:
• Psicologia Profunda (Paulo Rogério da Motta): http://
paulorogeriodamotta.com.br/o-mito-de-eros-e-psique/
• Infopédia: https://www.infopedia.pt/$eros-e-psique
• Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Psiqu%C3%AA
E até hoje, tive a oportunidade de ver essas esculturas que retratam momentos importantes do mito.
As duas primeiras fotos mostram a escultura “Psiquê revivida pelo beijo de Eros/Amor” esculpida em 1793 por Antonio Canova e qe se encontra no
Louvre Antonio Canova (1757 — 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto e escultor italiano. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Foi tido como o maiores escultores europeus que fortemente contribuiu para a consolidação da arte neoclássica.