The Twelve Olympians

The Twelve Olympians

Rotunde – Altes Museum, Berlin

In the Greek Mythology, the Olympians are the 12 greatest gods of the Greek pantheon. They lived at the top the Mount Olympus, the highest mountain in Greece.

ZEUS (Jupter)

  • the most powerful of the Olympian Gods
  • the father of all gods and humankind
  • protector of law and justice
  • totally unfaithful to his wife-sister Hera
  • he is usually holding a hunderbolt

 

ZEUS – Zeus casting Thunderbolts – Dodona (Greece), sanctuary of Zeus Bronze, around 470 BC Altes Museum, Berlin, Germany.

 

HERA (Juno)

  • the queen goddess of Olympus
  • wife-sister of Zeus
  • represents the integrity of marriage
  • very jealous, usually punished Zeus’ lovers
  • she usually has a sceptre and a crown
  • her animal is a peacock
HERA – Juno, Park Sanssouci, Potsdam, Germany

 

POSEIDON (Neptune)

  • god of the sea and all waters
  • could bring violent waters and earthquakes on the world
  • he is usually carrying a trident
NEPTUNE – Neptune Fountain (Neptunbrunnen). Built in 1891 and designed by Reinhold Begas. Berlin, Gemany.

 

APHRODITE (Venus)

  • goddess of love, sex, and beauty
  • she punished those who rejected love and thos who dishonoured her
  • usually depicted with girdles and birds
APHRODITE – The Venus de Milo was discovered in 1820 on the island of Milos In Greece. It was produced around 100 BC. Louvre Museum, Paris, France,
APHRODITE – The Birth of Venus, by Sandro Botticelli probably made in the mid 1480s. The painting is in the Uffizi Gallery in Florence, Italy.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APOLLO

  • he is the twin brother of Artemis
  • patron god of music and poetry
  • god of crops and herds
  • god of prophecy and oracles
  • god of purification and healing
  • he is usually carrying a lyre and /or a bow and arrow and wearing hunting outfits
APOLLO – Statue of Apollo Lykeios. Acquired in Rome (Italy) in 1766. Marble, Roman copy around 140 AD (body). The head and body of two different Roman copies were combined in he 18th century. Altes Museum, Berlin, Germany.

 

ARTEMIS (Diana)

  • she was the twin sister of Apollo; one of the three virgin goddesses
  • goddess of the hunt and wildlife
  • protected the hunters and innocent
  • she is usually carrying a bow and arrow and wearing hunting outfits
ARTEMIS – Diana of Versailles. . It is a Roman copy (1st or 2nd century AD) of a lost Greek bronze original attributed to Leochares, c. 325 BC. Located in the Louvre Museum, Paris, France.

 

DIONYSOS (Bacchus)

  • God of the wine and ecstasy 
  • usually depicted with grapes, ivy, and a thyrsos (a wand topped with a pine cone or vine-leaves and grapes or berries)
  • his animal is the panther
Dyonisos – Märkisches Museum, Berlin, Germany.

 

HERMES (Mercury)

  • the messenger god
  • guide of the souls to death
  • protector of merchants, gamblers, liars, and thieves
  • usually wears winged boots or sandals and a petasus (winged cap), which enable him to take flight.
  • usually carries the caduceus (= herald’s staff) , a short wand entwined by two serpents, sometimes surmounted by wings. 
Hermes carrying a Herald’s staff – National Museum of Bargello in Florenz, Italy.

 

DEMETER (Ceres)

  • she is the goddess of the grain, agriculture and  harvest
  • the goddess of the fertility of the earth.
  • usually depicted wth cereals and a torch
DEMETER – Ceres, the agriculture goddess, allegory of Springtime. Inspired in the original version from 1714/5. Zwinger Palace, Dresden, Germany.

 

HEPHAISTOS (Vulcan)

  • God of fire, metallurgy
  • the workman of the gods
  • the only ugly god, lame
  • he is usually carrying an axe, blacksmith’s tools and an anvil (large block of metal)

    HEPHAISTOS – Fire (copy), François Gaspard Adam, 1753. Venus watches Vulkan doing a shield for Aeneas. Park Sanssouci, Potsdam, Germany.

 

ATHENA (Minerva)

  • she is the war-goddess, the female counterpart of Ares
  • goddess of intelligence and militar strategy 
  • one of the three virgin goddesses
  • she usually wears a helmet and carries a spear and the Aegis ( a snake-fringed shield decorated with Gorgon’s head)
  • her animal is the owl
ATHENA- Head of Athena in the Velletri Type on a Modern Bust. Marble, Roman, after an original from around 400 BC. Altes Museum, Berlin, Germany.

 

ARES (mars)

  • god of war, the male counterpart of Athena
  • he often represents the violent aspect of war, in contrast to his sister, Athena
  • a dangerous force, insatiable in battle, destructive
  • he usually wears a helmet and carries a spear and shield
ARES – Mars (copie), FRançois Gaspard Adam, 1760. Sanssouci Park, Potsdam, Germany.

Eros e Psiquê

Um dos mais belos contos da literatura universal                                                                                                          

O MITO DE AMOR E PSIQUÊ

– Um dos mais belos contos da literatura universal. 

Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793 - Antonio Canova - Louvre

Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793
Antonio Canova – Louvre

“Histórias Estátuas”

Em um reino vivem o rei, a rainha e suas três filhas.
Duas princesas são mulheres sem grandes atrativos e não são pessoas que se destacam em meio às outras pessoas, porém a princesa mais nova, que se chama Psiquê (que na mitologia grega, é uma divindade que representa a personificação da alma).

Psiquê é extraordinariamente bela e naturalmente é notada por todos, devido não só à sua beleza, mas também ao seu charme, personalidade e forma de agir e falar.

Tais características fazem com que ela tenha um porte de deusa e as pessoas à sua volta, em razão de sua notável presença, realmente a veneram e até a cultuam, chegando, inclusive, a dizerem: “Eis aí a nova Afrodite, eis aí uma nova deusa”.

Afrodite, a deusa da feminilidade, começou a perceber a adoração que era destinada à Psiquê e muitos já comentavam que Psiquê estaria tomando o lugar dela.

Psiquê é a preocupação de seus pais porque suas filhas mais velhas, apesar de não serem tão encantadoras quanto ela, já estão felizes e casadas com reis de reinos vizinhos, porém não aparece ninguém para pedir a mão da formosa Psiquê.

O rei então decide consultar um oráculo, porém o oráculo que o rei consulta é dominado por Afrodite que com inveja e raiva de Psiquê faz com que a resposta do oráculo seja uma terrível profecia: Psiquê deveria desposar uma criatura horrível e repulsiva.

Psiquê é levada em uma procissão para o casamento como se este fosse um cortejo fúnebre e então é acorrentada em uma pedra no alto de uma montanha. Ela estava quase adormecendo, aguardando resignada a sua triste sorte, quando um ser misterioso apareceu na escuridão e lhe disse que era o marido a quem ela estava destinada. Era o belo Eros que desempenhava o papel de marido, tentando desta forma executar o castigo que Afrodite pedira.

Eros era o deus grego do amor e do desejo, conhecido na mitologia romana como Cupido, é filho de Afrodite. Ele é geralmente representado como uma criança alada, com arco e flecha, pronto a disparar sobre o coração de deuses e de mortais, suscitando-lhes o desejo e o amor. As flechas eram de dois tipos: as douradas, de penas de pomba, que suscitavam o amor, e as flechas de chumbo, com penas de coruja, que causavam a indiferença. Frequentemente com os olhos vendados para simbolizar a cegueira do amor, Eros tornava-se perigoso para os demais, pois disparava setas em todas as direções.

O plano de Afrodite era o de que Eros lançasse uma flecha em Psiquê para que ela se apaixonasse pelo seu futuro esposo.

Eros, porém, ao ver Psiquê se distrai e acidentalmente acaba espetando seu próprio dedo com uma de suas flechas e então é ele, o deus do amor, quem acaba se apaixonando por Psiquê.

E Psiquê seduzida pela voz suave de Eros, se entregou e conheceu as delícias do Amor, nas mãos do próprio deus do amor…

Os dias se passavam, e ela não se entediava, tantos prazeres tinha: acreditava estar casada com um monstro, pois Eros não lhe aparecia e, quando estavam juntos, ficava invisível. Ele não podia revelar sua identidade pois, assim, sua mãe descobriria que não cumprira suas ordens – e apesar disto, Psiquê amava o esposo, que a fizera prometer-lhe jamais tentaria descobrir seu rosto.

Passado um tempo, a bela jovem sentiu saudade de suas irmãs e, implorando ao marido que permitisse que elas fossem trazidas a seu encontro. Eros resistiu e, ante sua insistência, advertiu-a para a alma invejosa das mulheres. As duas irmãs foram, enfim, levadas.

A princípio mostraram-se apiedadas do triste destino da sua irmã, mas vendo-a feliz, num palácio muito maior e mais luxuoso que o delas, foram sendo tomadas pela inveja. Constataram, então, que a irmã nunca tinha visto a face do marido. Disseram ter ouvido falar que ela havia se casado com uma monstruosa serpente que a estava alimentando para depois devorá-la, então sugeriram-lhe que, à noite, quando este adormecesse, tomasse de uma lâmpada e uma faca: com uma iluminaria o seu rosto; com a outra, se fosse mesmo um monstro, o mataria.

Psiquê resistiu os conselhos das irmãs o quanto pôde, mas o efeito das palavras e a curiosidade da jovem tornaram-se fortes. Pôs em execução o plano que elas lhe haviam dito: Após perceber que seu marido entregara-se ao sono, levantou-se tomando uma lâmpada e uma faca, e dirigiu a luz ao rosto de seu esposo, com intenção de matá-lo.

Quando ela vê o belo jovem de rosto corado e cabelos loiros, espantada e admirada, desastradamente deixa pingar uma gota de azeite quente sobre o ombro dele. Eros acorda – o lugar onde caiu o óleo fervente de imediato se transforma numa chaga: o Amor está ferido

Eros acordou e, furioso, reprimiu-a pela sua curiosidade e pela quebra da promessa que lhe tinha feito e retirou-se.

Ao mesmo tempo, desapareceu o palácio e Psiquê encontrou-se, de novo, na montanha, onde, desgostosa, tentou suicidar-se, atirando-se a um rio, mas as águas levaram-na de volta às margens.

A partir de então, vagueou pelo mundo à procura do seu amor, e, perseguida pela ira de Afrodite, foi sujeita a muitos perigos que conseguiu vencer devido a uma misteriosa proteção.

Finalmente, Eros, impressionado pelo arrependimento de Psiquê e pela fidelidade do seu amor, implorou a Zeus que deixasse Psiquê juntar-se a ele.

Zeus concedeu a imortalidade a Psique, Afrodite esquece seus ciúmes e concorda com a ideia.

Psiquê é então transformada em deusa e, desta forma, Eros e Psiquê se casam no Olimpo e ela dá à luz a uma menina chamada Hedonê, a deusa do prazer.

O mito de Eros (o amor) e Psiquê (a alma) retrata a união entre o amor e a alma. Uma alegoria à imortalidade da alma, simboliza também a alma humana provada por sofrimentos e aprovada, recebendo como prêmio o verdadeiro amor que é eterno e o prazer.

Em obras de arte Psiquê é representada como uma donzela com asas de borboleta, uma simbologia que significa que Psiquê, como a borboleta, depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera.

“Histórias Minhas”

Apesar de já ter visitado o Louvre algumas vezes, só me senti atraída pela escultura quando estive lá em maio/2015. Foi um momento difícil em minha vida e eu questionava se realmente seria capaz de voltar a viver bem.
 
Estava acompanhando meu ex-marido, um físico,  que fazia uma viagem de negócios. Durante o dia, enquanto ele trabalhava, eu, que tinha tirado uns dias de férias, mergulhava nos encantos parisienses. À noite, nos encontrávamos mas era sempre muito difícil. A relação tinha chegado ao fim e o desprazer de estarmos juntos era notório. E na segunda noite, ao fim de mais uma de nossas brigas, ele me deixa sozinha no quarto do hotel e não volta. 

Detalhe de Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793  -  Antonio Canova - Louvre

Detalhe de Psiquê revivida pelo beijo de Eros 1793  
 Antonio Canova – Louvre

Na manhã seguinte, ele aparece e vamos a um pequeno café tentar conversar. Sem a menor chance de reconciliação e após muitas agressões, ele se levanta, joga 10 € em cima da pequena mesa e sai de forma arrogante.

Cansada do abuso emocional, decido que não posso aceitar mais isso. Eu morava em Berlim há 4 anos e me sentia segura tendo um marido alemão. Mas o preço era alto demais. Me sentia desrespeitada, humilhada e vinha sendo violentada mentalmente diariamente. E naquele momento decidi que não permitiria mais isso.

Peguei meu telefone e lhe enviei uma mensagem. O diálogo foi assim:
“Acabou. Não há nada no mundo que me faça continuar nesse casamento”, escrevo eu.
“ Você sabe que dia é hoje?” Pergunta ele. E escreve: “ 16.05.2015”
Checo o calendário. Ele tem razão. Isso quer dizer que 5 anos atrás, naquela mesma data havíamos nos conhecido.
“Muito bem. Fechamos com chave de ouro”, digo eu.

Arrasada, cansada e totalmente perdida, me levanto. Eu estava em Montparnasse. Decido ir até o Jardin des Grands Explorateurs, caminhar um pouco pelo parque e tentar ordenar meus pensamentos. Em momentos de grandes dificuldades, tenho sempre o hábito de não só buscar soluções, mas observar as influências externas, o que vem de fora, o que a vida quer me mostrar. Sinto que tem sempre um motivo para tudo o que passamos e não sossego enquanto não entender o porquê de tudo. E foi assim que resolvi que nesse momento era melhor eu apenas observar tudo e esperar para ver o que a vida tinha para dizer. E esse dia foi extraordinário. Repleto de sinais. O primeiro havia sido a data e agora, no parque, duas estátuas me chamam a atenção. Essas estátuas, não são de Psiquê e Amor e não tem a ver com o tema dessa postagem, mas foram importantes para mim naquele momento. Elas mostravam duas realidades. A que eu vivia e a que eu queria viver. Vejam:

Robert Cavelier - Le Crepuscule  François Jouffroy - L'Aurore

Robert Cavelier – Le Crepuscule
François Jouffroy – L’Aurore

Um bom sinal, penso eu. Sigo em frente pelo Jardin Du Luxemburg. Sento na beira do lago, fecho os olhos e sinto o calor do sol de primavera. Ouço o som dos pássaros, das pessoas que caminham vagarosamente sobre as pedrinhas do chão e as risadas das crianças que brincam com barquinhos no lago. Passo um tempo fotografando as cenas que quero eternizar e vejo um menino que corre feliz com um barquinho com a bandeira do Brasil. Outro bom sinal, penso eu e sorrio.

Jardin Du Luxemburg

Jardin Du Luxemburg

Decido continuar a minha caminhada e acabo chegando na igreja do Saint-Sulpice. Um pouco cliché, penso eu, mas resolvo entrar. Tem uma missa sendo rezada. Achei que talvez fosse uma boa ideia sentar e meditar ouvindo a voz do padre em francês que me acalmava.

Mas a missa estava no fim e eu senti uma tristeza profunda. Comecei a andar pela igreja e vejo uma sala com uma janela grande de vidro. Dentro, havia um padre negro que conversava com um homem. Sem saber muito bem porque, resolvo parar e esperar. O homem se levanta, se despede e o padre acena para mim, me convidando para entrar. Me aproximo e digo que não falo francês muito bem. Ele sorri, me pede para sentar e lágrimas descem pelo meu rosto. Mostro a minha aliança e explico que o casamento terminou. Ele me pede para fechar os olhos e faz uma oração em francês. Muito emocionante e lindo. Me senti abençoada diretamente por Deus naquele momento. E tive a impressão que minha decisão era boa, que estava fazendo a coisa certa. Fiquei uns 15 minutos com o padre, agradeci, me despedi e sai da sala. Me senti inexplicavelmente muito bem e confiante após esse encontro.

Sai da igreja e fui para o Quartier Saint-Germain-des-Prés. Olhei as novidades, as vitrines mas não comprei nada. Sentei noutro café e pedi um absolutamente delicioso sanduíche de baguete com queijo, presunto e salada e o saboreei com uma taça de vinho rosé enquanto observava os pedestres. Percebi que estava chegando a hora de visitar o Louvre. Eu tinha comprado as entradas online com hora marcada. Então decidi pagar a conta e seguir para lá.

Em poucos minutos chego no Louvre. Sento perto da pirâmide para admirar a sua beleza e aproveito para tirar mais algumas fotos. De repente, o meu telefone toca. Era o meu marido. Olho para o celular e fico em dúvida se deveria atender. Agora que já tinha me acalmado e estava de novo bem, falar com ele poderia estragar tudo o que eu tinha conquistado e eu poderia voltar a me aborrecer e a me desequilibrar. Mas resolvi atender.

“Já que não estamos mais juntos, resolvi voltar para Berlim mais cedo. Vou embora daqui a pouco e quero saber se você está precisando de alguma dinheiro”, disse ele. Bem, ele estava me deixando sozinha em Paris. O mínimo que poderia fazer era me ajudar nas despesas. Aceito a ajuda e digo que ele pode fazer uma transferência para a minha conta. Assim, eu poderia retirar o dinheiro em algum caixa eletrônico e não precisaríamos nos encontrar. Ele concorda e me pergunta onde estou.
“Na entrada do Louvre”, digo eu.
“Eu também”, diz ele.
Me viro assustada e já o vejo do outro lado da rua.
Ele vem até mim e sentamos na beira do laguinho de novo. Mais calmos, conseguimos falar melhor. Ele explica que vai embora. As reuniões de trabalho acabaram e ele não tem mais motivos para ficar em Paris. Eu digo que vou ficar e explico que não posso continuar conversando pois tenho uma entrada com horário marcado para visitar o Louvre. Ele diz que só havia visitado o Louvre uma vez, quando ainda era adolescente e que tinha vontade de visitá-lo. Eu estava com os dois ingressos na mão que tinha comprado para nós dois. Acabo perguntando se ele quer vir comigo. Ele aceita. Entramos juntos e eu penso se fiz a coisa certa…

E é durante essa visita ao Louvre que paro para refletir sobre o amor ao ver a escultura “Psiquê revivida pelo beijo de Eros” de Antonio Canova da foto acima. Nesse momento o amor parece muito irreal. Eu me sentia adormecida, descrente. Será que ainda voltaria a me apaixonar? A acreditar no amor? Com esse homem certamente não.

Apesar de tudo, a visita foi tranquila e enriquecedora. Ele é um homem extremamente culto e inteligente e talvez, por que estava temeroso de me perder, se portou de forma simpática e amigável. Eu aceitei a sua companhia e desfrutei desse momento culturalmente rico. Na saída decidimos caminhar pelas Tulherias e decidir sobre o que fazer…

Jardin-Du-Luxemburg - Tulherias

Jardin-Du-Luxemburg – Tulherias

Na próxima postagem (O Beijo – Auguste Rodin) darei continuidade a essa história. Deixo aqui mais umas estátuas de Amor e Psiquê que tive o privilégio de conhecer. 

Primeiro duas obras do alemão Reinhold Begas (Alemanha 1831 – 1911) que se encontram na Antiga Galeria Nacional, na Ilha dos Museus, em Berlim. 
Aqui vemos a primeira estátua de Begas, que mostra o momento em que Psiquê fere Amor (ela derrama óleo quente no seu ombro).

Amor und Psyche / Amor e Psiquê - 1857 - Reinhold Begas Antiga Galeria Nacional - Ilha dos Museus - Berlim

Amor und Psyche / Amor e Psiquê – 1857 – Reinhold Begas
Antiga Galeria Nacional – Ilha dos Museus – Berlim

A segunda estátua mostra Pan consolando Psiquê após ela ter sido abandonada por Eros/Amor.

Pan tröstet Psyche / Pan consola Psiquê 1858 - Reinhold Begas - Antiga Galeria Nacional - Ilha dos Museus - Berlim

Pan tröstet Psyche / Pan consola Psiquê
1858 – Reinhold Begas – Antiga Galeria Nacional – Ilha dos Museus – Berlim

Begas foi aluno de Christian Daniel Rauch e foi fortemente influenciado pela obra de Michelângelo e pela arte barroca do período. A partir de 1870 Begas dominou a arte plástica na Prússia, especialmente em Berlim, onde despertou grande interesse no Kaiser Guilherme II. Algumas de suas obras-primas desse período são:

• a estátua colossal de Borússia para o Salão da Glória (hoje no parque da Fehrbelliner Platz)
• a fonte de Netuno;
• a estátua de Schiller cercada pelas 4 alegorias (poesia, tragédia, história e filosofia) em Gendarmenmarkt;
• a estátua Kriegswissenschaft (ciência da guerra) (no Deutsches Historisches Museum);
• a estátua de Alexander von Humboldt;
• o sarcófago do imperador Frederico III no mausoléu da Igreja da Paz em Potsdam,
• o monumento nacional ao imperador Guilherme I;
• o memorial a Otto von Bismarck no Tiergarten;
• várias estátuas na Avenida da Vitória.
Embora sua temática favorita fosse a arte decorativa e mitológica, ele tornouse o mais famoso retratista à sua época e esculpiu muitos bustos de seus contemporâneos.

Abaixo uma foto de Amor und Psyche uma obra do alemão Karl Hassenpflug (1824- 1890) , feita para o rei Frederico Guilherme IV da Prússia. A estátua se encontra no Palácio do Laranjal no Parque Sanssouci em Potsdam.

Amor und Psyche 1858 - Karl Hassenpflug - Orangerieschloss

Amor und Psyche
1858 – Karl Hassenpflug – Orangerieschloss

E termino essa postagem dizendo que 2 anos depois, em abril de 2017, posso dizer que a flecha do Eros me atingiu e estou vivendo uma linda e real história de amor. 

Fonte: Wikipédia
Na Antiga Galeria Nacional, que fica no coração da Ilha dos Museus em Berlin, encontra-se duas estátuas de Psiquê de Reinhold Begas .
A primeira mostra o momento em que Psiquê fere Amor (derrama óleo quente no seu ombro).

Um dos episódios mais conhecidos do livro é o de Amor e Psiquê.

Fontes:
• Psicologia Profunda (Paulo Rogério da Motta): http://
paulorogeriodamotta.com.br/o-mito-de-eros-e-psique/
• Infopédia: https://www.infopedia.pt/$eros-e-psique
• Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Psiqu%C3%AA
E até hoje, tive a oportunidade de ver essas esculturas que retratam momentos importantes do mito.
As duas primeiras fotos mostram a escultura “Psiquê revivida pelo beijo de Eros/Amor” esculpida em 1793 por Antonio Canova e qe se encontra no
Louvre Antonio Canova (1757 — 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto e escultor italiano. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Foi tido como o maiores escultores europeus que fortemente contribuiu para a consolidação da arte neoclássica.

O Beijo – Auguste Rodin

E “O Beijo”, pela sensualidade que transmite, acabou se tornando uma das esculturas mais famosas de todos os tempos                                

O Beijo – AUGUSTE RODIN 

– E “O Beijo”, pela sensualidade que transmite, acabou se tornando uma das esculturas mais famosas de todos os tempos

“Histórias Estátuas”

E, 1879, Rodin foi contratado para fazer uma entrada para o Museu de Artes Decorativas de Paris. Para isso ele criou uma porta colossal inspirado na famosa obra literária “As Portas do Inferno” da “Divina Comédia” de Dante Alighieri.  Veja a foto abaixo:

As Portas do Inferno - Rodin - Museu Rodin

As Portas do Inferno – Rodin – Museu Rodin

Originalmente “O Beijo” faria parte de Os Portões do Inferno“, mas acabou se tornando uma escultura independente (assim como O Pensador”) e uma outra escultura, de outro casal de namorados, bem mais simples, foi posta em seu lugar. Veja no portão acima. O casal está na parte de baixo, no lado direito. E abaixo um recorte que fiz da figura:

E “O Beijo”, pela sensualidade que transmite, acabou se tornando uma das esculturas mais famosas de todos os tempos. 

Ao criar a estátua “O Beijo”, Rodin se inspirou no Canto V, do “Inferno” da “Divina Comédia” de Dante. Esse Canto conta a trágica história de amor entre Paolo e Francesca que termina com o assassinato de ambos pelo marido traído de Francesca.
Aqui, um resumo do conto: 

Francesca da Rimini, conhecida por sua beleza, era filha de Guido I da Polenta, governante da cidade de Ravena. Como família de Francesca travava uma longa disputa com a família Malatesta, Guido resolveu conceder a mão de Francesca em casamento para o filho mais velho da família, Giovanni Malatesta, na tentativa de um acordo de paz, porém, apesar de Giovani ser um homem muito culto e valente, ele tinha uma péssima aparência e era coxo. Sabendo que Francesca não concordaria com o casamento, Guido providenciou para que ele fosse realizado por procuração através do irmão mais novo de Giovanni, Paolo Malatesta, que era jovem e bonito.

Assim que Francesca e Paolo se conheceram, eles apaixonaram-se um pelo outro e viviam sempre juntos. Francesca gostava de ler contos sobre Lancelote e Guinevere. Um dia,  enquanto ela lia a história junto com Paolo, eles foram se envolvendo e na troca do seu primeiro beijo, foram surpreendidos e mortos por Giovanni, marido de Francesca. Após a morte, os amantes que eram levados por sua paixão, são condenados a vaguear eternamente através do Inferno. 

Esse conto mostra que tanto o amor de Lancelote, por Guinevere, esposa do rei Arthur, quanto o amor que existiu entre Paolo e Francesca é o amor cortês, um amor impossível e que os leva à morte.  Mas é também um amor sem arrependimento, que eles seguem compartilhando no inferno por toda a eternidade. 

Alguns fatos interessantes sobre a escultura:

  • O nome original da escultura “O Beijo” de Rodin era “Francesca da Rimini”, mas quando os críticos viram pela primeira vez a escultura em 1887, sugeriram um titulo menos específico: Le Baiser (O Beijo).
  • Na escultura, o livro com os contos sobre Lancelote e Guinevere pode ser visto nas mãos de Paolo. 
  • Os lábios dos amantes não se tocam realmente na escultura, sugerindo-se que eles morreram, sem seus lábios nunca terem sido tocados. 
  • Rodin queria mostrar que as mulheres não eram passivas sexualmente, na escultura, Francesca abraça Paolo, correspondendo o seu desejo.
  • A crença que o artista inspirou-se nos delírios amorosos vividos com Camille Claudel para fazer a escultura não procede, pois a estátua começou a ser esculpida muito antes deles se conhecerem.

“Histórias Minhas”

E agora darei sequência a história anterior da escultura Amor e Psiquê  contanto como a escultura “O Beijo” se tornou especial para mim.

O Beijo - Rodin - Jardin de Tuileries

O Beijo – Rodin – Jardin de Tuileries

Após a minha visita ao Louvre, caminhei com meu ex-marido (estava casada com ele na época) pelo Jardin de Tuileries em direção ao Museu de l’Orangerie. Eu queria conhecer as telas “Les Nymphéas” de Monet. Tínhamos muito a dizer um ao outro, mas não dizíamos nada.

Chegamos no Museu 40 minutos antes dele fechar. Como eu nunca tinha estado lá e não teria tempo para voltar no dia seguinte, resolvi entrar. E valeu muito à pena. Um verdadeiro santuário de beleza e paz. As cores vivas porém calmas, a predominância do azul e a luminosidade natural, me circundando, a princípio me remeteu à Santorini, parecia que estava vendo o mar azul de cima dos prédios brancos, mas depois com os tons verdes e coloridos, me sentei e dava para me imaginar num banquinho no meio do jardim de Monet, em Giverny. Me senti abençoada por ter tido essa oportunidade. Queria fica mais tempo. Mas o museu ia fechar…Bem, acho que terei que voltar! 🙂

Ao sairmos no museu, eu ainda nas nuvens, vejo uma grande estátua, bem no jardim. Me aproximo… “eu conheço essa estátua”, penso eu… Sim, é claro! Era “O Beijo” de Rodin! Sim! Ali, no jardim, sem proteção, simplesmente enfeitando o jardim, bem na minha frente, entre o Museu de l’Orangerie e a Place de la Concorde. “Meu Deus!”, penso eu, “isso é em Paris!” e corro para a estátua. Quero apreciar cada detalhe, tocá-la, fotografá-la, fazer uma selfie. Tudo para que ela possa ir um pouco comigo para casa, na minha mente, nas minhas fotos.

“O Beijo” … o beijo de um amor adúltero. A mulher que corresponde aos desejos do homem. Tudo tão parecido com a minha história. Nesse casamento falido, eu também era adúltera. Como a Francesca, tinha me casado com um homem que não conhecia.

Conheci meu ex-marido no Rio de Janeiro numa tarde de domingo. Dia 16/05/2010. Ele estava participando de um congresso de informática da medicina e hospedado no hotel Windsor na Barra da Tijuca, bem pertinho da minha casa. Eu morava no Portal da Barra. Tinha sido um final de semana de muito estudo pois eu estava fazendo o MBA e teria prova de economia financeira, matéria incompreensível para mim, e eu tinha passado o final de semana imersa nos livros. Cansada, resolvi encontrar uma amiga minha num bistrôzinho de um francês na praia, o Bangalô. Era bom fazer uma pausa e sair para caminhar ao ar livre um pouco e comer e beber algo gostoso. Eu adorava a caipirinha de lichia deles servida com grossos canudos pretos. Em alguns goles, você já tinha terminado o drinque e certamente queria outro. 🙂 Eles também tinham pastéis de camarão incrivelmente gostosos e um prato de polvo com batatas ao murro de comer de joelhos.

Coloquei um vestidinho, sandálinha rasteira, peguei meu cachorrinho e lá fui. Não estava nem um pouco a fim de me produzir. Estava a fim de relaxar e me divertir. Chegando lá, encontrei a minha amiga e cerca de 15 minutos depois chegam 4 pessoas que ocuparam a mesa ao lado. Não sei bem dizer como tudo começou, mas de repente estávamos dando dicas para eles do que fazer no Rio, especialmente na Barra. Eles não falavam português e ficaram super felizes em encontrar pessoas locais que se comunicassem em inglês. Eram 2 alemães (um homem e uma mulher) e um homem americano. A conversa foi ficando animada e com a chegada de outras pessoas do congresso e começo de um show no bistrô, acabamos juntando as mesas. O alemão acabou ficando do meu lado.

A alemã animada, queria saber onde poderiam dançar no dia seguinte, de preferência perto do hotel. “Segunda à noite, na Barra? Só se for na Nuth”, nós dissemos.
“Ah! Então vamos lá amanhã!”, disse a alemã. “E vocês vem também!”

No final da noite, me despedi de todos e voltei para casa caminhando. Estava relaxada e adormeci rápido. No dia seguinte acordei cedo, segui minha rotina, peguei meu carro e fui trabalhar. Eu era gerente da Cultura Inglesa, filial Leblon. Entre um atendimento e outro, recebo uma mensagem da minha amiga:
“E aí, vamos na Nuth mais tarde?”
“Tá maluca? Amanhã tenho que trabalhar!”, disse eu.
“Ah, a gente dá uma passadinha lá rapidinho. Tem uma cara super interessante o grupo que eu queria reencontrar.” , disse ela.
“O que? Hoje é segunda! Amanhã tenho que trabalhar”
“Ah! Pleeeease! Prometo não ficar até tarde! E olha só! Aquele pastor alemão estava bem interessado no seu Lhasa Apso…”
“kkkkkkkkkk”, digo eu. “OK! Até mais tarde!

Chegando em casa, tomei um banho demorado, coloquei um vestido colorido e sandálias de salto alto. A Nuth não era o meu lugar favorito, mas a música era boa e eu adoro dançar. Então, pensei, se a noite não for boa, pelo menos eu terei a chance de dançar um pouquinho. Minha amiga passou lá me casa e me deu carona. Estava cedo, não tinha fila. Entramos e sentamos na parte externa em baixo das árvores. Logo logo chegou o grupo e o tal alemão não saiu do meu lado. Fomos os penúltimos a sair da boite. E nos encontrarmos na noite seguinte, e na outra e em todas as outras até ele ir embora.

Mantivemos contato via Skype, ele ficou me visitando a cada 45-50 dias, nas minha férias viajei para Berlim e no final do ano, quando fui informada que deveria mudar de filial, resolvi mudar de país. Pedi demissão e em 26/04/2011 me mudei para Berlim. Em setembro/2015 nos casamos. Foi como o americano que estava na mesa dele no primeiro encontro disse: “Man, you sat at the right side of the table!” (Cara, você sentou do lado certo da mesa). É… a (minha) vida é assim. A serendipidade sempre atuando.

Mas logo ao chegar na Alemanha percebi que o homem interessante que me visitava no Rio não existia. Era workaholic, fumante aditivo e bebia em excesso. A promessa de construirmos um lar não acontecia, romance e intimidade muito menos. Vivíamos vidas paralelas, distintas e por fim e separados.

Vivi assim por 4 anos. Sou uma pessoa que normalmente busco soluções e luto por melhorias, mas nessa relação, eu só tinha sucesso quando eu tomava alguma decisão que me levasse para longe dele. Qualquer movimento de aproximação era de alguma forma questionado, inibido, ridicularizado ou brutalmente interrompido. E assim fomos nos afastando lentamente até que pouco ante de viajar para Paris, em abril/ 2015 já morávamos em apartamentos distintos em ruas diferentes.

E, como a Francesca, foi o amor com um homem casado que me fez suportar um casamento desastroso. Sim, claro que eu poderia ter terminado tudo de cara e ter voltado para o Brasil, mas não quis fazer assim. Já tinha feito isso antes em outros momentos da minha vida quando era mais jovem, Agora eu precisei ser mais fria. Tinha deixado uma vida estável e equilibrada para trás e me sentiria uma derrotada ao voltar sem ter conquistado nada. E assim fiquei. Persisti. O meu marido não reclamava. Ter um elo com alguém o satisfazia. Não precisava de mais nada. Mas eu… precisava de muito mais. Busquei saídas. Fiz um curso de alemão intensivo, comecei a escrever um blog sobre restaurantes, fiz cursos de fotografia e abri contas na Internet para compartilhá-las e passei a estudar a história de Berlim e Alemanha, o que acabou me levando a abertura da minha empresa de turismo em Berlim posteriormente.
Mas havia uma lacuna…uma tristeza… uma revolta… E foi quando conheci um homem que como eu, estava num casamento infeliz. Nos encontramos sedentos de amor e por 2 anos vivemos momentos lindos.

Pensávamos que seria uma aventura. Mas nossos encontros foram muito além do sexo. Conhecemos os mais lindos hotéis e restaurantes de Berlim, viajamos pela Alemanha e Brasil e fizemos muitas coisas juntos. Estávamos completamente apaixonados. E foi aí que eu decidi que não queria mais viver essa vida dupla. Eu queria ter o meu amor por perto. Não queria ser a número dois. Queria ser a mulher dele.

E numa tarde, quando nos encontramos antes da aula de salsa, num restaurante mexicano em frente à escola, perguntei a ele enquanto tomávamos um drinque:
“Alguma chance de me tornar a número 1?”
“Não, Cássia. Lhe amo muito mas sou casado com uma advogada e tenho dois filhos adolescentes. Se eu pedir a separação perderei tudo e não tenho condições de começar uma nova vida aos 51 anos.”
Eu já sabia que a resposta seria essa. Sempre soube. Por isso nunca tinha perguntado. Não estava preparada. Mas agora, ao saber que não tínhamos chance de viver juntos, tudo mudou para mim. Aquela foi a morte do nosso amor.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Não conseguia parar de chorar. Não fui à aula de salsa. Voltei para casa e acho que chorei uns dois dias sem parar. Mas depois desses dois dias, estava pronta para uma nova vida. Fui ao salão, cortei os cabelos bem curtos e decidi que era uma nova mulher. Continuei a encontrá-lo, mas meu coração ele não tinha mais.

E dois meses depois, em Paris, no Jardin de Tuileries, em frente à estátua “O Beijo”, eu senti um vazio. Eu tinha dois homens e não tinha ninguém.

Mas o que eu não sabia é que eu já havia encontrado o homem da minha vida e nem desconfiava… Mas isso fica para uma próxima estátua.

Vocês já devem ter visto várias versões da estátua. Saibam a origem delas:
  • Em 1888, o governo francês encomendou a primeira versão de mármore em grande escala de “O Beijo” de Rodin para a Exposição Universal de 1889, mas foi exibido publicamente pela primeira vez no “Salon de la Société National des Beaux-Arts” em 1898. Em 1900, a estátua foi movida para o “Musée du Luxembourg”, antes de ser levada para a sua localização actual, o Musée Rodin, em 1918.
  • Em 1900, Rodin fez uma cópia para Perry Edward Warren, um excêntrico colecionador norte-americano que vivia em Lewes, no East Sussex, na Inglaterra, com sua colecção de antiguidades gregas e seu amante, John Marshall. Em 1914 a escultura foi emprestado para a Câmara Municipal de Lewes a colocar em exposição pública na Câmara Municipal. Um número de puritanos locais, liderados por a diretora Miss Fowler-Tutt, opôs-se à natureza erótica da escultura. Foi devolvida à residência de Warren em Lewes em 1917, onde permaneceu armazenada durante 12 anos até a morte de Warren, em 1929. Em 1955, a Tate comprou a escultura para o país a um custo de £7.500.
  • Um grande número de bronze moldes foram feitos. O Musée Rodin relata que a “Fundação Barbedienne” sozinha produziu 319. De acordo com a lei francesa, decretada em 1978, apenas as primeiras doze podem ser chamadas de originais.

Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Beijo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisca_de_R%C3%ADmini
http://renegirard.com.br/blog/?p=23
https://owlcation.com/humanities/Famous-Love-Stories-in-History-Paolo-and-Francesca
http://www.bbc.co.uk/culture/story/20151119-the-shocking-story-of-the-kiss

As Princesas

Essa foi a primeira escultura dupla de duas figuras femininas retratadas no tamanho natural                                   

As Princesas

– Essa foi a primeira escultura dupla de duas figuras femininas retratadas no tamanho natural.

“Histórias Estátuas”

Escultor – Johan Gottfried Schadow (1764 – 1850)

Johann Gottfried Schadow

Fonte: Wikipedia (https://de.wikipedia.org/wiki/Johann_Gottfried_Schadow)

Nascido em Berlim, Schadow foi um dos maiores escultores do classicismo alemão. Ele fundou a Escola de Escultura (Bildhauerschule) de Berlim e Reinhold Begas e Christian Daniel Rauch foram seus alunos.

Por ser tão renomado, Schadow trabalhou como escultor oficial da corte prussiana a partir de 1788 e produziu mais de 200 obras em cerca de 50 anos de trabalho.
A sua escultura mais famosa é a “Quadriga” (1794) que fica no topo do Portão de Brandemburgo.


Mas sem dúvida a sua obra mais graciosa é a estátua “As Princesas”.


As Princesas / Die Prinzessinnengruppe – cópia Johan Gottfried Schadow, 1795 – Palácio de Charlottenburg- Berlim
Quem eram as princesas?

A estátua retrata as princesas da Prússia Luísa e Frederica, filhas do príncipe alemão Carlos II de Mecklemburgo-Strelitz, que se tornou governador geral de Hanôver.

Em 1793, numa noite organizada pelo tio das princesas, em Frankfurt, Luísa, com 17 anos é apresentada ao príncipe herdeiro Frederico Guilherme, de 23 anos, que fica tão impressionado com a moça que decide que quer se casar com ela. Na mesma noite, a irmã de Luísa, Frederica, com 15 anos, também chama a atenção do irmão mais novo de Frederico Guilherme, Luís Carlos. O rei Frederico Guilherme II da Prússia, encantado com o charme e beleza das mesmas, acerta para que os seus dois filhos se casem com elas.

No dia 24/04/1793 eles celebram um noivado duplo. Oito meses depois, Luísa casa-se com o príncipe herdeiro Prussiano Frederico Guilherme, em 24/12/1793, e dois dias depois, em 26/12/1793, Frederica, casa-se com o príncipe Luís Carlos.

Detalhe de As Princesas / Die Prinzessinnengruppe Johan Gottfried Schadow - 1795 Antiga Galeria Nacional - Berlim

Detalhe de As Princesas / Die Prinzessinnengruppe
Johan Gottfried Schadow – 1795
Antiga Galeria Nacional – Berlim

Como a escultura tão bem mostra, as irmãs eram muito unidas, apesar da diferença que havia entre elas: Luísa, a princesa da direita, que usa um lenço no pescoço, olha para frente, prevendo a sua incumbência como futura rainha. Frederica se apoia em Luísa e tem um olhar sonhador e coquete.
Na verdade, apesar das irmães princesas terem se casado com irmãos príncipes, elas tiveram histórias bem diferentes.

Vamos conhecer melhor cada uma delas.

Luísa de Mecklemburgo-Strelitz (1776 -1810)
Rainha Luísa Elisabeth Vigée-Lebrun, 1801 - Palácio de Charlottenburg - Berlim

Rainha Luísa Elisabeth Vigée-Lebrun, 1801 – Palácio de Charlottenburg – Berlim

Quatro anos após o seu casamento, o marido de Luísa sobe ao trono como Frederico Guilherme III, rei da Prússia e ela se torna sua rainha consorte. Por ser inteligente, carismática e caridosa, Luísa se torna muito popular.

Luísa se interessava por política e ajudou o rei a formar poderosas alianças. Ela se tornou uma figura poderosa no governo, chegando até a participar das negociações de paz com Napoleão, e sendo vista por seus súditos como “o nacionalismo prussiano personificado”.

Seu casamento foi feliz e ela teve dez filhos com o rei, mas Luísa morreu muito jovem, repentinamente, de uma doença não identificada, com apenas 34 anos. Ela foi enterrada no jardim do Palácio de Charlottenburg onde foi construído um mausoléu para ela com a estátua de Christian Daniel Rauch.

Tampa do sarcófago da rainha Luísa Christian Daniel Rauch, 1812 Mausoléo da rainha Luísa nos jardins do Palácio de Charlottenburg - Berlim

Tampa do sarcófago da rainha Luísa Christian Daniel Rauch, 1812
Mausoléo da rainha Luísa nos jardins do Palácio de Charlottenburg – Berlim

Frederica Luísa Sofia Carlota Alexandrina de Mecklemburgo-Strelitz (1778 -1841)

Princesa Frederica da Prússia - Johann Tischbein, 1796

Princesa Frederica da Prússia – Johann Tischbein, 1796
Fonte: https://de.wikipedia.org/wiki/Friederike_von_Mecklenburg-Strelitz

Frederica teve 3 filhos com o príncipe Luís Carlos, mas não foi feliz com ele. Luís Carlos preferia a companhia de sua amante e deixava Frederica sozinha. Em contrapartida, Frederica se diverte com o seu primo, o galante Luís Ferdinando, príncipe da Prússia. Após 3 anos de casamento, em 1796, Luis Carlos, o marido de Frederica, morreu de difteria.

Frederica se mudou então para o palácio de Schönhausen com seus filhos. Com apenas 18 anos e muito bonita, ela atrai a atenção de muitos homens. No ano seguinte, em 1797, seu primo Adolfo, o duque de Cambridge, sétimo filho do rei Jorge III do Reino Unido pede ao pai permissão para se casar com Frederica, mas o rei, pressionado por sua esposa, Carlota, tia de Frederica, recusa.

Em 1798 Frederica fica grávida de Frederico Guilherme, príncipe de Solms-Braunfels. O príncipe reconheceu a paternidade da criança e pediu a sua mão em casamento. Ela aceitou para evitar um escândalo. Em 1805 ele perde seu posto militar por motivo de saúde e Frederica tem que sustentá-lo.

Em 1813 Frederica conhece o príncipe Ernesto Augusto, duque de Cumberland, o quinto filho do rei Jorge III e eles se apaixonam. Frederica pede ao rei da Prússia autorização para se separar do seu marido, o príncipe de Solms-Braunfels. O rei aceita, a família de Frederica e até mesmo o seu marido concordam. Apenas a mão do noivo, sua tia Carlota, é mais uma vez contra. Porém, em 1814, o marido de Frederica morre de forma súbita. Livre, ela obtém a permissão do parlamento britânico e se casa em 1815, com Ernesto Augusto.

Eles tem um casamento feliz e Frederica tem mais três filhos com Ernesto Augusto.

Em 1837, o rei Guilherme IV do Reino Unido e Hanôver morre. Seu único herdeiro é a filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent, a rainha Vitória, que torna-se rainha do Reino Unido. Mas como Hanôver era regida pela lei sálica que não permitia mulheres na sucessão do trono, Vitória não pôde herdar o trono de Hanôver. O descendente masculino seguinte era Ernesto Augusto, o marido de Frederica. Ele se torna o rei Ernesto Augusto I de Hanôver e Frederica sua rainha-consorte.

Frederica morreu em 1841 com 63 anos.

Busto de Friederike von Preußen Johan Gottfried Schadow, 1795 Cópia em gesso da minha coleção pessoal

Busto de Friederike von Preußen
Johan Gottfried Schadow, 1795
Cópia em gesso da minha coleção pessoal

 

A Estátua

Após as princesas se casaram com o príncipe consorte da Prússia e seu irmão, o rei prussiano Frederico Guilherme II encomendou a Schadow um busto das duas irmãs. Em 1795 dois bustos separados em gesso ficaram prontos.

Em seguida, o príncipe Frederico Guilherme encomenda a Schadow uma estátua dupla de sua mulher e sua irmã. Para tal, o escultor ganhou uma sala no palácio onde eles moravam, o Kronprinzpalais (o Palácio do Príncipe Herdeiro, em Berlim) onde as princesas posavam para ele. Enciumado, o príncipe costumava estar presente sempre que Shadow estivesse com as irmãs.

Quando a escultura ficou pronta, Frederico Guilherme ficou chocado com o resultado. Ele achou que as irmãs foram retratadas de forma muito sensual, até mesmo erótica, o que ele considerou absolutamente inapropriado para uma futura rainha da Prússia. O tecido fino dos vestidos delas mostrava a forma de seus corpos e suas curvas. “Para mim, é fatal!”, disse Frederico Guilherme.
Mesmo assim, o rei autoriza que a escultura seja apresentada na Exposição da Academia de Arte em 1795 e posteriormente, a sua versão em mármore branco de Carrara, é também apresentada na Exposição da Academia de Arte em 1797.

Palácio de Charlottenburg

Palácio de Charlottenburg

Todos comentaram sobre a beleza das irmãs. O lenço que Luísa usa na estátua vira moda. O acessório saiu num revista de moda e virou peça obrigatória do vestuário das mulheres prussianas na época.

Fonte: https://de.wikipedia.org/wiki/Prinzessinnengruppe

Fonte: https://de.wikipedia.org/wiki/Prinzessinnengruppe

Em 1797, o rei Frederico Guilherme II falece. Seu sucessor, Frederico Guilherme III, insiste então, que a estátua não deveria ficar exposta ao público. Schadow teve então que levar a escultura de volta para sua oficina. Três anos depois ela retornou para o palácio de Berlim mas foi colocada num quarto de hóspedes, escondida do público e acabou caindo no esquecimento.

Depois de vários paradeiros, a versão original em mármore da escultura “As Princesas” se encontra hoje na Antiga Galeria Nacional. Na minha opinião esse é o melhor lugar para as princesinhas, no centro da Ilha dos Museus, no coração de Berlim!

As Princesas / Die Prinzessinnengruppe Johan Gottfried Schadow, 1795 Antiga Galeria Nacional - Berlim

As Princesas / Die Prinzessinnengruppe
Johan Gottfried Schadow, 1795
Antiga Galeria Nacional – Berlim

E hoje em dia, cópias da estátuas das princezinhas podem ser vistas em vários lugares da Alemanha e pequenas cópia são vendidas Ilha dos Museus.

As Princesas / Die Prinzessinnengruppe Johan Gottfried Schadow, 1795 Cópia no Hotel Adlon - Berlim

As Princesas / Die Prinzessinnengruppe
Johan Gottfried Schadow, 1795
Cópia no Hotel Adlon – Berlim

“Histórias Minhas”

As Princesas / Die PrinzessinnengruppeJohan Gottfried Schadow, 1795  Antiga Galeria Nacional - Berlim

As Princesas / Die PrinzessinnengruppeJohan Gottfried Schadow, 1795 
Antiga Galeria Nacional – Berlim
Cresci para ser como a princesa Luísa. Era esperado que eu me casasse e tivesse uma união duradoura com um único parceiro.
 
Mas minha vida amorosa acabou sendo mais parecida com a da princesa Frederica. Me casei legalmente 4 vezes e estou na minha segunda união estável.
 
Cresci numa família que tinha um lado bastante conservador. 
 
Em casa, aprendi que as “boas” moças deveriam ter sexo apenas depois do casamento e exclusivamente com o seu marido. As moças que engravidavam antes do casamento era muito mal vistas pelos meus pais. E para se certificarem que isso não aconteceria comigo, eles limitavam muito a minha liberdade. Eu não podia ir a festas sozinha nem viajar com amigos. Meu pai ia sempre me levar e buscar nas festas ou meu irmão me acompanhava.
 
Só fui dar o meu primeiro beijo na boca aos 15 anos.
 
Após isso, me foi permitido namorar, mas desde que eu trouxesse os namorados na minha casa e nós só podíamos viajar se fossemos junto com a minha família. Até na barraca de camping, meu pai nos colocava separados. 
 
Não havia liberdade nem confiança.
 
Mas por outro lado, minha família era considerda bastante moderna para a época .
 
Cresci assistindo junto com minha mãe, o programa “Comportamento Sexual” da Marta Suplicy na TV Mulher e a série Malu Mulher com Regina Duarte. 
Com a chegada da emancipação feminina passei a ler livros como  “O Complexo de Cinderela” e de “Mariazinha a Maria” e até o famoso Relatório Hite que minha mãe comprou para ela ler e que sempre deixou disponível pela casa para quem quisesse ler, inclusive eu que tinha 18 anos. 
 
Eram dois lados ambíguos. Dois mundos paralelos.

Um mundo de total abertura sobre a sexualidade, vinda das informações que eu obtinha nos livros e na TV. 
E outro com regras rígidas que me obrigava a me manter virgem, sucumbindo a todos os meus desejos, até me casar. 

E eu, com pouca liberdade para sair, namorava apenas os meninos da escola, da minha idade, e estávamos muito longe de termos independência financeira e de podemos pensar em casamento. 
 
Mas aconteceu algo que mudou tudo.
 
Com 19 anos, li na revista Contigo, um anúncio de um rapaz 9 anos mais velho do que eu procurando uma moça para um relacionamento sério. Trocamos cartas, e 3 meses depois do nosso primeiro encontro nos casamos. Eu tinha apenas 20 anos. Foi preciso meus pais assinarem uma permissão para eu me casar. Meu primeiro marido era um oficial de náutica da Marinha Mercante e passei minha lua-de-mel à bordo de um navio graneleiro da Docenave com destino a Washington e Houston nos EUA. 
 
Essa talvez tenha sido a maior loucura da minha vida.
 
Só muitos anos depois é que fui descobrir, em terapia, que esse casamento tinha sido na verdade, um passaporte para a minha libertação. Através do casamento consegui sair de casa. Mas na época não vi assim. Me apaixonei por um rapaz que viajava muito, que conhecia o meu ídolo Bob Geldof e que tocou a música “I don’t like Mondays” no toca-fitas do seu carropara mim. Nossa! Isso era o máximo!!! Essa era a minha música favorita quando morava em Londres e ninguém a conhecia no Brasil da ditadura militar. E por ser mais velho que os meninos da escola, o rapaz tinha um Passat, me mandou flores e me deu um anel de brilhante. Tudo muito novo e apaixonante para uma sonhadora menina de 19 anos.
 
Mas deu tudo MUITO errado. 

Além de alcoólatra, meu marido tinha uma sexualidade não muito bem definida, talvez tivesse medo de assumir sua homossexualidade, não sei dizer ao certo, mas parecia que o nosso casamento servia apenas como uma fachada.
Depois de 3 anos casada eu não era mais virgem porém continuava sem nunca ter tido um orgasmo.
Ele não tinha muito interesse em mim equando tínhamos relações eu não entendia bem porque eu não me satisfazia sexualmente. Ele dizia que eu era “frígida” e eu sofria muito sem achar uma explicação para o meu problema. Até que um dia descobri que ele transava com casais. 
 
Me separei.
 
Voltei para a casa dos meus pais. E voltaram as regras. Mais uma vez eu não podia chegar em casa depois da meia-noite, etc, etc, etc. “O quê??? De novo???”, pensei eu. “Não. Nunca mais!” 
 
Me separei dos meus pais. 
 
Fui morar sozinha na Rua 28 de Setembro, em Vila Isabel.
Eu já trabalhava, e apesar de não ganhar muito, já era independente.
Meu apartamento era simples, mobiliado com móveis baratos e de segunda mão mas era tudo muito caprichado e eu me sentia muito feliz.
 
E aprendi que podia ter orgasmos. 
 
Dois anos depois conheci um lindo e simpático engenheiro de uma família portuguesa. Depois de um ano de namoro nos casamos. Eu já morava na Tijuca, na rua São Francisco Xavier, esquina com a Av. Maracanã e ele veio morar comigo. Tínhamos acabado de nos formar e em seguida conseguimos empregos estáveis em grandes empresas. Compramos os nossos primeiros carros zero kilômetro e em seguida um apartamento próprio no Engenho Novo. 
 
Mas, ele levava a vida sempre na brincadeira. Chegava constantemente atrasado e faltava muito o trabalho. Não tinha responsabilidade. Acabou sendo demitido. Nós tínhamos acabado de comprar um chalé nas montanhas, em Nova Friburgo, e o dinheiro da recisão foi todo para a obra da casa. Passei um ano arcando com todas as despesas praticamente sozinha e as brigas começaram. Ele não corria atrás, não tinha emprego e as contas se acumulavam e as brigas aumentavam… Até que um dia, ele chegou em casa de madrugada e eu descubri que tinha estado com outra mulher.
 
Me separei.
 
Como eu adorava o chalé das montanhas, resolvi ficar com ele. Na verdade, o chalé valia mais que o nosso apartamento e para ficar com ele tive que pagar uma mensalidade ao meu marido por 2 anos, comprando assim a parte dele. Para isso, tive que voltar a morar na casa dos meus pais, até me acertar financeiramente. 
 
E resolvi também arrumar um segundo emprego no turno da manhã para aumentar a minha renda. Fui trabalhar na Escola Suíço-Brasileira em Santa Teresa. Logo nos primeiros dias percebi que meu chefe, um suíço, estava muito sorridente para o meu lado. Dois anos depois estávamos morando juntos.
 
Ele era um homem lindíssimo, muito carismático e sedutor. Tinha muitos amigos e não parava em casa. Passava as tardes depois do trabalho na praia. Em alguns dias jogava tênis, em outras noites jogava cartas. Eram muitas atividades fora do casamento, que me excluíam.  Às vezes eu sentia ciúmes e brigávamos. Mas vivíamos bem. Até que o país entrou num momento econômico difícil e com o plano Collor ele resolveu que queria voltar para a Suíça. Foi então que nos casamos e deixamos o Brasil. 
 
Desde a minha primeira semana em Zurique, me senti só. Dormíamos em quartos separados e ele tinha milhões de atividades que não me incluíam. Quando estava em casa, ele tinha sempre pilhas de provas para corrigir e ficava horas trancado num quarto e pedia para não ser incomodado. 

Estando em um país estrangeiro, sem falar a língua, sem ter muito o que fazer, eu me senti, pela primeira vez na vida, deprimida. Ficava procurando atividades para preencher os meus dias. Estudava alemão, mas o povo falava o Schwizerdütsch, um dialeto suíço que eu não conseguia entender. Arrumei um emprego como professora de português num curso de línguas, mas não tinham muitas pessoas interessadas em aprender português. O que eu mais gostava de fazer e que mais me preenchia era assistir palestras em inglês no Instituto Jung. Adorava pegar um barco e ir até a antiga casa do psicoterapeuta, na beira do Zürichsee. Mas as paletras não eram frequentes e eu ficava muito tempo sozinha em casa. E para piorar comecei a ter reações alérgicas aos 2 gatos do meu marido. Cheguei a ser hospitalizada com fortes crises de asma duas vezes.
 
Me separei.
 
Voltei para o Brasil, para a casa de meus pais de novo. Consegui recuperar o meu emprego na Cultura Inglesa, onde tinha trabalhado 9 anos. 
 
Dois anos depois, estava no antigo Ballroom no Humaitá com uma amiga, num show do Celebrare que eu adorava, quando conheci um economista. Um homem magro, pequeno, que usava óculos e de sorisso simpático.

Esse talvez tenha sido o maior amor da minha vida. Ainda hoje, ao escrever, sinto um aperto no peito ao pensar nele. Éramos jovens, bonitos, bem sucedidos e livres. Perdidamente apaixonados um pelo outro, nosso sexo era maravilhoso e passávamos todo o nosso tempo livre juntos. 1 ano e meio depois fui morar com ele no Humaitá.

Dois anos depois de estarmos juntos, fomos promovidos no trabalho. Eu passei a gerenciar filiais e ele se tornou o superintendente econômico da sua firma. Foi uma fase financeiramente muito próspera e compramos um apartamento com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas, carros melhores e passamos a viajar. Fizemos muitas trilhas pelo interior do Brasil no nosso Suzuki 4×4. Visitamos o Pantanal, a Chapada Diamantina, Lençóis no Maranhão, Canela e Gramado e quase todo o nordeste do Brasil. Nossa vida era pura aventura. Em seguida viajamos para Inglaterra, França, Espanha, EUA, Patagônia e Perú. 
 
Mas além de fartura, o dinheiro nos trouxe muitos problemas. 

Meu marido se tornou um homem de certa forma poderoso, com muita grana, mas era mesquinho. Investia seu dinheiro em equipamentos caros, carros, bicicletas caras (era ex tri-atleta), objetos de arte e decoração. Chegou a contratar duas arquitetas para reformar o nosso apartamento. “Por favor, fique fora do planejamento. Eu estou pagando, então eu definirei tudo com as arquitetas.”, disse ele uma vez para mim. Eu não ganhava pouco, mas ganhava muito menos e não podia acompanhar o seu padrão e portanto contribuia menos. Fiquei muito aborrecida com isso. Eu era um estranha na minha própria casa. Não preciso nem dizer que passei a torcer contra, comemorando cada coisa que dava errada na obra. 
A partir daí a relação começou a ficar difícil. Ele cada vez mais esnobe, passou a debochar de minhas coisas e roupas. Só grife tinha valor. Meus amigos também foram se tornando muito simples para ele. Passei a viver num mundo que não me agradava. Muita ostentação e pouca profundidade. 

Ele, que adorava passar os finais de semana no meu chalé em Nova Friburgo, curtindo o frio, tomando vinho e fazendo pizzas comigo lá, começou a achar tudo muito fora do seu padrão. Em vez de investir em melhorias, só criticava e reclamava.

Decidi vender o meu querido chalé em Nova Friburgo. Com o dinheiro, comprei um apartamento na Barra da Tijuca. Gostava de passar os finais de semana lá, ir à praia em frente à rua John Kennedy e depois relaxar na rede na minha enorme varanda com vista para a Pedra da Gávea e o mar. Ah! Como me sentia feliz ali. Mas, o apartamento também auxiliou para o fim da nossa relação. Depois dele, cada vez que brigávamos eu fazia as malas, pegava o Robinho, o meu Yorkshire, e ia para a Barra. Depois de alguns dias, ele ia até lá, conversávamos, fazíamos as pazes e eu voltava para a Lagoa. Não sei dizer quantas vezes fiz isso. Me lembro de algumas vezes, no meu carro, indo para Barra sozinha, no meio da noite, chorando e cantando alto “Não te quero mais!” da Martinália. Tudo muito dramático sempre.

Vivemos 7 bons anos juntos, mas o último ano foi nesse vai e vem. E numa viagem a Machu Picchu, eu finalmente dicidi que não queria mais viver assim e coloquei um ponto final na nossa história.
 
Me separei.
 
Minha carreira se solidificou e em 2009 fui convidada para gerenciar a filial Leblon da Cultura Inglesa e a fazer o MBA no Ibmec. 

Em 2010, um ano após ter me separado definitivamente do economista, conheci um físico alemão num restaurante. Nos apaixonamos e depois de 1 ano de namoro me mudei para Berlim. Para saber mais detalhes sobre essa história, leia o capítulo de “O Beijo”.
 
 Foram 04 anos de muitas viagens e muitas brigas. 

Esse foi o homem mais inteligente que conheci na vida. Mas foi também a relação mais desafiadora de toda a minha vida. Sofri muito. Vivia com o rosto inchado de tanto chorar. Ele competia comigo, me desestabilizava, me abandonava, etc, etc… Foram anos muitíssimo difíceis. 
 
Mas diferente da minha experiência na Suíca, dessa vez eu resolvi que não ia voltar para o Brasil. Berlim é uma cidade fantástica e eu decidi que ia ficar. E aos poucos fui conquistando meu espaço e independência. Quando cheguei em Berlim, alugávamos dois apartamentos no mesmo prédio. Um, onde ele trabalhava e o outro onde morávamos. Aos poucos cada um ficou com um apartamento e nos encontrávamos apenas para jantar. Não tínhamos mais intimidade e cada vez nos afastávamos mais. 4 anos depois, passamos a morar em apartamentos em diferentes prédios. Nos encontrávamos esporadicamente e tínhamos vidas independentes. Apesar dele me dar total liberdade, ainda havia um laço e eu não me sentia livre.
 
Me separei.
 
Montei uma agência de turismo personalizado em Berlim e encontrei um novo amor, com quem moro hoje em dia. Temos uma vida alegre e harmoniosa e pela primeria vez na vida me sinto realizada e extremamente feliz. 
 
E não quero me separar.
 
Agora vamos voltar às princesas Luísa e Frederica.
 
Desde que conheci a história delas, fiquei fascinada. A princípio me identifiquei com a Luísa e sua força, retidão e determinação. Mas depois me apaixonei por Frederica, que como eu, viveu muitas paixões. 
 
 
Mas não consigo escolher apenas uma. Sinto que às vezes sou mais Frederica, em outras sou mais Luísa. 
 
As duas princesinhas vivem dentro de mim se intercalando e se complemetando.
 
E não vou jamais separá-las.

As Princesas / Die PrinzessinnengruppeJohan Gottfried Schadow, 1795  Antiga Galeria Nacional - Berlim

As Princesas / Die PrinzessinnengruppeJohan Gottfried Schadow, 1795 
Antiga Galeria Nacional – Berlim
Fontes:
 
  • RIDLEY, Jenny. Queen Luise in Berlin. Jennifer Ridley 2016.
  • Museum Island Berlin and Its Tresures. Staaliche Museen zu Berlin and bpk – Bildagentur für Kunst, Kultur and Geschichte 2009.
  •  https://de.wikipedia.org/wiki/Prinzessinnengruppe
  • https://de.wikipedia.org/wiki/Johann_Gottfried_Schadow
  • https://de.wikipedia.org/wiki/Luise_von_Mecklenburg-Strelitz
  • https://de.wikipedia.org/wiki/Friederike_von_Mecklenburg-Strelitz

CARIÁTIDES

Conheça o templo de Erecteion na acrópole de Atenas e as ninfas de Karyes.                                                      

CARIÁTIDES 

– Conheça o templo de Erecteion na acrópole de Atenas e as ninfas de Karyes.

“Histórias Estátuas”

Cariátides, Templo de Erecteion Acrópoles de Atena - Grécia

Cariátides, Templo de Erecteion
Acrópoles de Atena – Grécia

Grécia Antiga é o nome dado ao período da história grega que vai de 1100 a.C. até 146 a.C., quando a península grega foi dominada pelos romanos. Foi na Grécia Antiga que surgiram as primeiras cidades independentes, que eram chamadas de polis, palavra grega que significa cidade-estado. As duas principais cidades-estado eram Atenas e Esparta. Esparta caracterizava-se por ser uma sociedade militar, bélica, e Atenas era o centro cultural e intelectual da época, a cidade da filosofia, da literatura, da dramaturgia, das olimpíadas e da ideia moderna de democracia.
De modo geral, as cidades-estado, se estabeleciam nas partes mais altas da região e eram chamadas de acrópole (do grego akrós, alta e pólis, cidade).

Miniatura da acrópole de Atenas - Altes Nationalgalerie - Berlim

Miniatura da acrópole de Atenas
Altes Nationalgalerie – Berlim

A acrópole de Atenas é a mais conhecida acrópole do mundo e foi uma importante sede administrativa, cultural, religiosa e militar da Grécia Antiga. Situada no topo de uma colina rochosa a 150m acima do nível do mar, em Atenas, capital da Grécia, sua plataforma tem 300m de cumprimento e 130m de largura. Ela foi construída entre 460 e 430 a.C., pelos arquitetos Iktinos e Kallikrates, e pelo escultor ateniense Fídia, sob a administração de Péricles, o mais importante estadista e estrategista militar da história de Atenas.

Feita para Atena, a deusa da sabedoria e padroeira da cidade, a acrópole de Atenas é uma obra-prima da arte grega. Foi tombada pela Unesco em 1987 como Patrimônio da Humanidade, e eleita em 2007 como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo. Porém, a maior parte de suas estruturas estão em ruínas, pois ela foi alvo de vários ataques militares durante a história. Mas quatro monumentos importantes ainda estão de pé. São eles:
• O Propileu, que é o gigantesco portão de entrada da Acrópole;
• O Partenon, templo dedicado à deusa grega Atena, e reconhecido como um
dos maiores monumentos culturais da história da humanidade;

Partenon - Acrópole de Atenas - Grécia

Partenon
Acrópole de Atenas – Grécia

• O Templo de Atena Nice, que é um pequeno templo de mármore branco, onde Atena era cultuada como deusa da vitória (nice = vitória);
• O Templo de Erecteion, templo consagrado a Atena e Poseidon e considerado o mais belo monumento em estilo jônico do mundo.

Templo de Erecteion - Acrópole de Atenas - Grécia

Templo de Erecteion
Acrópole de Atenas – Grécia

E é aqui no templo de Erecteion que se encontram as Cariátides, as estátuas que descreverei nesse capítulo. Portanto, vamos conhecer melhor essa construção.

Primeiramente, o nome Erecteion, significa templo construído em honra de Erecteu, um dos heróis de Atenas, mencionado na Ilíada de Homero.

O Erection substitui o Templo Antigo, onde Atena, (conhecida pelos romanos como Minerva, a deusa da sabedoria, da guerra, das ciências e das artes) e seu tio, Poseidon (conhecido pelos romanos como Netuno, o deus do mar), travaram uma batalha para ver quem seria o patrono da cidade.

Batalha entre Atena e Poseidon - Detalhe dos Mármores do Partenon - Museu da Acrópole de Atenas

Batalha entre Atena e Poseidon
Detalhe dos Mármores do Partenon
Museu da Acrópole de Atenas

Conforme o mito, ficou estabelecido que quem desse o melhor presente à cidade ganharia a disputa. Poseidon ofereceu um cavalo e bateu com seu tridente e fez jorrar água do mar. Atena fez crescer uma oliveira no meio de um rocha. O presente de Atena foi o escolhido e ela virou a padroeira da cidade.

Atena - Altes Nationalgalerie - Berlim

Atena
Altes Nationalgalerie – Berlim

O Templo de Erecteion tinha então santuários que reverenciavam esses deuses. Em um deles era feito o culto Atena, e lá havia uma estátua da deusa feita de madeira de oliveira. E no outro havia desenhos simbolizando os traços feitos pelo tridente de Poseidon quando ele bateu no chão e produziu água salgada.

Mas é a varanda do pórtico sul que mais nos interessa. Nela se encontram, as Cariátides que, na minha opinião, são as estátuas mais lindas da acrópoles de Atenas. O templo de Erecteion tem seis delas. Cariátides são colunas, usadas na arquitetura como pilares de sustentação, para suportar o teto, que tem formas femininas. As colunas são estátuas de mulheres de pé sustentando o teto da varanda. Todas elas são de alguma forma diferente e pela pose delas, com uma perna semi flexionada, parece que não estão se esforçando muito para sustentar o teto sob suas cabeças.

Cariátides, Templo de Erecteion - Acrópoles de Atena - Grécia

Cariátides, Templo de Erecteion
Acrópoles de Atena – Grécia

As Cariátides estão vestindo uma túnica de linho chamada quíton, que era a indumentária característica da Grécia antiga, feita com um retângulo de tecido, preso nos ombros por broches ou alfinetes e na cintura, por um cordão.

quiton

quíton (http://hautedeliciousak23.blogspot.de/2015/12/greek-fashion-history.html)

Detalhe da roupa - Altes Nationalgalerie - Berlim

Detalhe da roupa
Altes Nationalgalerie – Berlim

Seus cabelos estão presos em lindas tranças embutidas e rabo do peixe.

Detalhe dos cabelos das Cariátides - Museu da Acrópole de Atenas

Detalhe dos cabelos das Cariátides
Museu da Acrópole de Atenas

Mas por que o nome Cariátide?

Existem diferentes interpretações.

Escolhi a versão mais conhecida, e que para mim faz mais sentido, que diz que o nome Cariátide tem origem no mito de uma jovem chamada Cária. A história diz:

Díon, que era o rei da Lacônia (região do Peloponeso cuja capital é Esparta), era casado com Anfitea e tinha três filhas: Orfe, Lica e Cária. Certa vez, Díon e Anfitea receberam o deus Apolo em sua casa quando ele viajava pela Lacônia. Apolo foi tão bem recebido que, como recompensa, prometeu dar o dom da profecia às suas filhas. Mas ele impôs algumas condições: as irmãs não poderiam trair os deuses nem deveriam especular sobre assuntos que não lhe diziam respeito. Algum tempo depois, o deus do vinho, Dionísio, se hospedou também na casa de Díon. Ele foi igualmente bem tratado e acabou se apaixonando por uma de suas filhas, a Cária, que lhe correspondeu.

Dionísio - Altes Nationalgalerie - Berlim

Dionísio
Altes Nationalgalerie – Berlim

Dionísio teve que continuar a sua viagem pelo mundo, mas tempos depois voltou à casa de Díon, atraído pelo amor da jovem. As irmãs de Cária tentam impedir o amor dos dois, e quebram assim a promessa feita a Apolo.

Furioso, Dionísio transforma as irmãs em rochas. Cária acaba sendo transformada numa árvore, mais precisamente, em uma Nut-tree ou seja, uma nogueira (Karya, em grego).

Cária passou a ser venerada como a Senhora da Nogueira e na sua cidade, Karyes (ou Cariés), um tempo decorado com colunas de madeira, esculpidas em forma de jovens mulheres foi construído em sua homenagem.

E anualmente, em Karyes acontecia um festival chamado Caryateia, em homenagem à Cária, onde as sacerdotisas do templo, as ninfas da nogueira, dançavam em círculos, levando em suas cabeças cestas de juncos, como se fossem plantas dançando.

A partir de então, na arquitetura, as colunas com formas femininas passaram a ser chamadas de Cariátides, as ninfas da nogueira.

Cariátide - Museu da Acrópole de Atenas

Cariátide
Museu da Acrópole de Atenas

2.800 anos depois, as Cariátides tem muitas outras estórias para contar.

Apenas 10 anos após ter sido construído, o templo de Erecteion foi danificado por um incêndio e foi reformado anos depois, em 395 A.C.

No período bizantino, o imperador Justino querendo extinguir o paganismo em suas terras, converteu o Erecteion em igreja ortodoxa cristã.

Após a Queda de Constantinopla em 1453, a Grécia tornou-se parte do Império Otomano e em 1456, os turcos transformam o Erecteion, num harém para o sultão.

Mas o pior ainda estava por vir…

Cariátides, Templo de Erecteion - Acrópoles de Atena - Grécia

Cariátides, Templo de Erecteion
Acrópoles de Atena – Grécia

Em 1799, um escocês chamado Thomas Bruce, o Lord Elgin, recebe o cargo de embaixador britânico em Constantinopla (atual Istambul).

Numa época em que os europeus consideravam a arte e arquitetura da Grécia Antiga como uma das maiores expressões de civilização, Lord Elgin decide copiar com moldes de gesso algumas esculturas.

Porém mais tarde, ao perceber que os governantes turcos não cuidavam das esculturas gregas e que as mesmas estavam em péssimas condições, resolveu “salvá-las”. E usando a sua posição de poder junto ao governo turco, ele pediu e obteve autorização do sultão para levar para o Reino Unido quantas peças de antiguidade ele desejasse.

Em 1801, Lord Elgin envia então uma equipe de homens para a acrópole de Atenas. Eles começam retirando alguns Mármores do Partenon e peças do templo de Atena Nice. O trabalho é mal feito e causa danos irreparáveis. As estruturas ficam cheia de buracos e os trabalhadores danificam várias peças chegando até a serrar algumas para poderem carregá-las mais facilmente.

O Templo de Erecteion não consegue se manter ileso ao saque. Lord Elgin decide levar uma das seis Cariátides para enfeitar sua mansão na Escócia. Esse foi um trauma tão grande que conta a lenda que naquela triste noite, o choro das outras cinco irmãs lamentando a perda de sua irmã pôde ser ouvido.

Rosto - Altes Museum - Berlim

Rosto
Altes Museum – Berlim

E para piorar ainda, o navio carregado com as peças retiradas de Atenas por Lord Elgin afunda em 1803. Só três anos depois as obras são recuperadas e chegam na Inglaterra em muitos anos depois, em 1812, quando então Lord Elgin resolve vender tudo para o Museu Britânico para pagar suas dívidas.

Em 1830, após a Guerra da Independência Grega contra o Império Otomano, foi criado o estado grego moderno, que engloba a maior parte do núcleo histórico da civilização grega antiga.

A partir daí, a Grécia vem tentando várias negociações para trazer as peças de volta, mas não consegue recuperá-las.

Em 2014 a Unesco resolveu intermediar, mas sem sucesso.

Durante a promoção do filme Caçadores de Obras-Primas, em Londres, George Clooney, Matt Damon e Bill Murray fizeram uma campanha a favor da devolução das esculturas, mas o Reino Unido se contrapõe à campanha alegando que Lord Elgin salvou as peças da destruição e as adquiriu legalmente.

Em 1979, as cinco Cariátides originais que restaram, foram substituídas por reproduções para que pudessem ser mantidas em segurança e hoje são atração dentro do museu da Acrópole.

Cariátides, Templo de Erecteion - Acrópoles de Atena - Grécia

Cariátides, Templo de Erecteion
Acrópoles de Atena – Grécia

E até hoje as Cariátides continuam encantando o mundo. Arquitetos de todas as épocas e nacionalidades continuam utilizado as colunas femininas em suas obras. Vejam aqui alguns exemplos:

Palácio Sanssouci - Potsdam, Brandenburg - Alemanha

Palácio Sanssouci
Potsdam, Brandenburg – Alemanha
Banhos Romanos - Parque SanssouciBanhos Romanos
Parque Sanssouci
Potsdam, Brandenburg – Alemanha

Quando decidi escrever sobre as Cariátides não tinha ideia do quanto seria difícil. Passei cerca de um mês tentando transformar a sua história nessa estória. A história grega, a mitologia, sua cultura e arquitetura, como vocês bem sabem, são riquíssimas e infindáveis. Quanto mais lemos e descobrimos, mais há para se ler e descobrir. E então decidi terminar citando um dos maiores filósofos gregos:

“A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos.”
( Platão- 427-347 A.C)

O templo de Erecteion e as ninfas da nogueira - Acrópolis de Atenas

O templo de Erecteion e as ninfas da nogueira
Acrópolis de Atenas

“Histórias Minhas”

Oia, Santorini - Grécia

Oia, Santorini – Grécia

Estive na Grécia em 2014 e me encantei. A beleza da natureza e a simplicidade do povo, me lembrou o meu Brasil. Me senti em casa. Mas ao mesmo tempo sentia que a Grécia tinha algo diferente. Talvez pela sua rica história, talvez por estar no continente europeu, não sei bem como explicar, mas achei a Grécia é ao mesmo tempo simples e elegante. Uma perfeição não construída, um charme absolutamente natural. Uma mistura de simples, bonito, gostoso, simpático, descomplicado, ao mesmo tempo nobre, histórico, divino, memorável. Um luxo só! O requinte da simplicidade verdadeira. A simplicidade de se ter apenas o necessário, somente aquilo que precisamos, na medida certa. Sem supérfluos, sem exageros. Organizado o suficiente, descontraído o suficiente. Não tem aquela perfeição que te intimida, nem aquela bagunça que te incomoda. Para mim, perfeita.

Mikonos, Grécia

Mikonos, Grécia

Fiquei absolutamente encantada com os restaurantes super simples que tem mesinhas de madeira embaixo de enormes videiras que se vergam com o peso dos seus enormes cachos de uvas. Parece que eu tinha entrado dentro de uma pintura. MA-RA-VI-LHO-SO!!!!

Naxos, Grécia

Naxos, Grécia

Nossa! A Grécia! O berço da civilização ocidental!
A Grécia era para mim um lugar distante, complexo, sagrado, com seus deuses e seus mitos. Mas de repente, lá estou eu no meio das estátuas, vasos, colunas, diretamente dentro da história, da mitologia. É como se você estivesse pisando no solo sagrado dos deuses. Impossível ficar impassível quando do nada, na estrada surge uma placa indicando o caminho para o Monte Zeus. Para!!! Eu preciso fotografar!!!

Ilha de Naxos, Grécia

Ilha de Naxos, Grécia

Existem muitas estátuas gregas expostas nos museus da Europa. Talvez até as mais bem conservadas e valiosas. Mas estão em lugares artificiais, em salões frios, de piso brilhante, iluminadas por luz artificial e longe do seu ambiente natural. O visitante não tem visão do todo e analisa as peças isoladamente. Já na Grécia, tudo faz sentido. Ao visitar sítios arqueológicos como a acrópole de Atenas, a Ilha de Delfos ou o templo de Demetre em Naxos, você se transporta imediatamente no tempo e mergulha na história, na mitologia. De repente você está numa ágora, cercado de colunas e estátuas, que mesmo quebradas, por estarem no seu ambiente natural, falam por si. E o clima é seco, árido, você caminha pelas pedras, por entre as oliveiras, sob o sol quente, sentindo a poeira presente em tudo. O ambiente é perfeito. E o visitante se encanta.

Ilha de Delfos, Grécia

Ilha de Delfos, Grécia

E a comida? Ah! Os frutos do mar: polvo, lula, camarões variando dos tons rosados aos arroxeados. Dos deuses!!! A salada grega feita com o delicioso queijo feta e as folhas de alface, a cebola roxa e o pimentão verde crocantes. Inigualável! As azeitonas temperadas com ervas, as beringelas assadas, os tomates secos, o azeite, o vinho. De tirar o chapéu!!! Uma perfeita combinação de frescor e cor, como uma palheta de tintas que surge das varandas das casas e restaurantes de paredes pintadas de branco. E isso tudo sempre com vista pro o mar azul e com direito a pores de sol alucinantes que você assiste de cima de um morro ou num barco, indo de uma ilha para outra.

Mikonos, Grécia

Mikonos, Grécia
Oia, Santorini, Grécia

 

Oia, Santorini, Grécia

E tem coisa mais gostosa do que praias? Muitas na Grécia não tem aquela areia fina e branca, é verdade. Mas tem sua beleza também. Nada que uma boa sandália de borracha não resolva. E eu apreciei muito as pedras. Praia com seixos avermelhados, outras pretos, outras coloridos, uns maiores, outros menores. Mas sempre muito bonito.
Santorini, Grécia

Santorini, Grécia

Percebi que muitas mulheres faziam topless nas praias, principalmente as turistas francesas, alemãs e escandinavas. Um dia estava na praia de Perissa, em Santorini e percebi que várias mulheres em minha volta tomavam sol sem a parte de cima do biquini. A praia era super tranquila, com pouca gente e tudo acontecia de forma muito natural e discreta. Eu já tinha tido experiências anteriores em praias naturistas como a de Tambaba na Paraíba e em alguns lagos da Alemanha, mas eram lugares onde todos estavam nus. Nadei nua também em lagos na Finlândia, mas eu estava num lugar absolutamente remoto, sem ninguém por perto.

Mas num lugar como aquele onde apenas cerca de 30% das mulheres faziam topless, achei uma atitude ousada e corajosa.

Deitada no sol, lendo o meu livro, tive dificuldade para me concentrar, imaginando como deveria ser bom tomar banho de sol sem o sutiã que estava me apertando e incomodando.

Bebi mais um gole do meu drinque, coloquei o livro de lado e voltei a procurar com os olhos as mulheres que faziam topless. Todas tão lindas, femininas, pareciam muito felizes.

Ilha de Naxos

Ilha de Naxos

E foi então que decidi que em vez de admirá-las ou criticá-las eu deveria tomar coragem e experimentar, tentar fazer como elas e… click, tirei o sutiã. Continuei deitada no sol e comecei a sentir como era bom estar assim, natural, sentindo o calor do sol e o vento nos meios seios nus. De repente me lembrei que não estava sozinha e olhei para os lados um pouco assustada. Mas tudo continuava na total normalidade, ou seja, ninguém parou o que estava fazendo para olhar para mim. Então fechei os olhos, relaxei e curti. Era um momento só meu, uma emoção somente minha.

Me sentindo já à vontade, resolvi ser ainda mais corajosa e fui até a água dar um mergulho. De novo, ninguém se interessou. Ah!!! Que delícia sentir a água diretamente no corpo. Um grande prazer e um enorme sentimento de liberdade. Naquele momento invejei os homens… Fiquei cerca de uma hora assim. Depois vesti meu sutiã e fui embora.  Nada mudou. Não naquela praia ou na vida das pessoas que lá estavam, mas algo mudou em mim. Mais uma experiência, mais uma barreia quebrada. Me senti forte, livre, emancipada!
Dois dias depois estava na ilha de Naxos. Resolvi caminhar na praia de manhã cedo. Usando a parte de cima do biquini também, é claro. E no caminho cruzei não só com mulheres fazendo topless, mas com alguns homens e mulheres completamente nus. Alguns deitados no sol, outros nadando. Parecia a coisa mais natural do mundo. Eu já tinha passado por isso aqui na Alemanha e segui o meu caminho. Mas me mantive vestida. Me sentia mais confortável assim. Paro numa barraca, bebo uma água, sento um pouco na sombra antes de voltar para a minha casa. E de repente, vejo uns colares coloridos pendurados em cabides na areia da praia. Vou até lá, checar os colares de perto. Eis que sai da água uma mulher pelada, não depilada, com os pelos pubianos penteados, formando uma trança. Ela me pergunta se estou interessada nos colares. Era a artesã. Estava vendendo os seus colares. Procuro mostrar naturalidade e pergunto de que material são feitos. Logo um outro casal se aproxima, perguntando o preço dos colares e e eu sigo o meu caminho achando graça.

A vontade de tirar o meu sutiã era grande mas penso: estou sozinha, já não mais jovem, meus seios não são mais tão firmes, estou alguns quilinhos acima do peso ideal, sou brasileira, tenho outro costume, etc, etc, etc. E vou caminhando e pensando, pensando, pensando, quando de repente cruzo com uma senhora de aproximadamente 75 anos que caminhava tranquilamente de topless mesmo tendo passado por uma cirurgia de mastectomia e tendo apenas uma mama. Meu Deus, como estou atrasadaaaaaaa! Quanta bobagem!!! Aquela mulher numa idade bem mais avançada do que eu e sem um dos seios, na verdade transmitia uma beleza incomum. Era a beleza do amor próprio, do despojamento, da auto –
aceitação, da naturalidade. Me deu vontade de correr atrás dela, abraçá-la, parabenizá-la, aplaudi-la. Um grande exemplo, uma verdadeira heroína.

Mirem-se no exemplo dessas mulheres de Atenas!

Ilha de Naxos

Ilha de Naxos
Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Erechtheion
http://www.infoescola.com/mitologia-grega/atena/
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rtemis
http://hellonet.teithe.gr/PT/aboutgreece/more/acropolis_pt.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Dion_(mythology)
https://en.wikipedia.org/wiki/Caryatis
http://www.turismogrecia.info/guias/grecia-antiga/erecteion
http://www.turismogrecia.info/guias/grecia-antiga/atena-deusa-da-mitologia-grega
http://www.foodwine.com/food/special/1999/walnut/history.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Bizantino
https://en.wikipedia.org/wiki/Hellenistic_period
https://en.wikipedia.org/wiki/Ancient_Greece
https://www.todamateria.com.br/periodo-classico/
http://www.suapesquisa.com/grecia/
https://www.online.uni-marburg.de/botanik/nutzpflanzen/melanie_gruen/mythologie.html
http://www.naxos.gr/en/special-features/general-features/article/?aid=833
http://sagradofeminino.saberes.org.br/saberes-ancestrais-femininos-sabedoria-espiritualidade-
psicologia-saude-danca-feminina/cariatides-sacerdotisas-de-artemis/
http://www.anhembi.br/html/ead01/historia_moda/aula02/p02.htm
http://hautedeliciousak23.blogspot.de/2015/12/greek-fashion-history.html